
A Bunge Alimentos, líder na originação de grãos e processamento de soja no Brasil, tem interesse em construir mais uma fábrica no País. A cidade escolhida deverá ser mais uma vez Pedro Afonso, no Estado de Tocantins, onde a companhia inaugura em maio de 2010 sua primeira usina de álcool e açúcar em parceria com a japonesa Itochu.
Segundo a Secretaria da Indústria e Comércio de Tocantins, a implementação da usina de açúcar e álcool seria apenas a primeira fase de um projeto entre a Bunge e o governo estadual. A empresa segue com seus planos de expansão no Brasil: só no último ano, a Bunge investiu R$ 2,3 bilhões em unidades no País.
A crise financeira mundial deixou marcas profundas em agroindústrias e cooperativas agropecuárias do país. O sumiço do capital de giro, no auge do aperto do crédito, provou o adiamento de investimentos e a instabilidade global de crescer o endividamento. Com a falta de liquidez, as alternativas foram fundir as operações, vender unidades ou recorrer aos pedidos de recuperação judicial.
As cooperativas, que tinham planos de investir R$12 bilhões em 2008, decidiram empurrar quase todos os projetos para 2010. E as tradings, que já enfrentavam problemas de caixa, antes mesmo da crise global, tiveram que carregar altos estoques comprados a preços altos, viram suas dívidas aumentar e travaram algumas operações por falta de crédito.
De outro lado, a crise fortaleceu o trabalho das centrais e dos consórcios cooperativos. Mesmo com o cenário negativo, garantia de entrega e qualidade do produto salvaram parte das vendas no exterior. O aquecimento do mercado interno, os bons preços externos e agregação de valores serão fundamentais.
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou recentemente que o etanol deve tomar 17% do mercado da gasolina no Brasil até 2020. Para aproveitar o crescimento da demanda pelo produto, Gabrielli já deu sinal verde para a construção de um terminal hidroviário e de alcoolduto no interior de São Paulo. A área definida para a construção do terminal fica na cidade de Anhembi, próxima à confluência dos rios Piracicaba e Tietê.
O BNDES anunciou medidas que ampliam as exigências socioambientais para que a instituição apoie a cadeia produtiva da pecuária bovina, tanto para concessão de financiamento, quanto para participação acionária em empresas. O Ministério da Agricultura já anunciou que espera rastrear eletronicamente o rebanho do Pará, com o objetivo de evitar que frigoríficos comprem gado de áreas desmatadas.
O BNDES também exigirá um plano de desenvolvimento socioambiental dos frigoríficos. Além disso, os frigoríficos só poderão comprar gado de fornecedores que não constem na relação de áreas embargadas do IBAMA e não poderão constar da lista suja do Ministério do Trabalho e nem terem sido condenados por invasão de terras indígenas, violência agrária, grilagem de terra e/ou desmatamento ilegal.
Os fornecedores diretos ainda precisarão apresentar licença ambiental da propriedade rural. O BNDES afirmou ainda que os prazos dados aos produtores são compatíveis com os estabelecidos no termo assinado com o Ministério Público.
O Banco do Brasil e a Nossa Caixa vão destinar R$5,8 bilhões para financiamentos rurais no Plano Safra 2009/2010, no Estado de São Paulo. O valor representa incremento de 35%, sobre os R$4,3 bilhões desembolsados na safra 2008/2009 pelos dois bancos.
A Nossa Caixa vai disponibilizar R$1 bilhão para os financiamentos rurais do período, quase 70% a mais do que os R$594,5 milhões desembolsados na última safra. O banco traz ainda outras novidades ao setor, como a ampliação dos limites operacionais de crédito e a oferta de mais uma modalidade de financiamento rural para cooperativas e agroindústrias, a linha Especial de Crédito (LEC). Já o Banco do Brasil informou que vai destinar R$ 4,8 bilhões, valor que representa incremento de 30% em relação ao que o Banco havia aplicado no Estado no ano safra 2008/2009.
O saldo comercial do agronegócio paulista aumentou 2,8%, para US$ 4,34 bilhões, no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2008, segundo o estudo do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (IEA). As exportações do setor atingiram US$ 7,03 bilhões (decréscimo de 8,6%), para importações de US$ 2,69 bilhões (recuo de 22,5%).
Um processo na Justiça movido contra uma usina de Pernambuco travou as intenções de investimentos da trading de commodities agrícolas Olam Internacional no Brasil. O grupo acusa a Usina Interiorana em Ribeirão (PE) de não ter cumprido o contrato de entrega referente a 24 mil toneladas de açúcar adquiridas pelo grupo e ter vendido o mesmo produto a terceiros.
O empresário Ricardo Mansur anunciou, após negociação rápida, a compra da Cerp (Central Energética Ribeirão Preto), que deve voltar a usar o antigo nome, Galo Bravo.
Seu primeiro grande investimento no setor sucroalcooleiro acontece cerca de dez anos depois das falências do banco Crefisul e das gigantes do varejo Mesbla e Mappin, que acarretaram a Mansur, nos anos seguintes, processos judiciais, dois meses de cadeia e o rótulo de mau administrador.
O empresário Paulo Roberto de Andrade, dono da boi Gordo, uma firma de investimento em gado que lesou mais de 30 mil pessoas, não corre mais risco de ser punido criminalmente. O Superior Tribunal da Justiça anulou a ação penal contra ele e reconheceu a prescrição do processo. A boi Gordo quebrou em 2004, deixando uma dívida de R$ 2,5 bilhões na praça. Andrade, denunciado à Justiça por prática de crimes falimentares, agora está livre das acusações.
O investimento na Boi Gordo foi uma febre do final dos anos 90 até quebrar, em 2004. A empresa prometia rendimento de 42% depois de 18 meses. Mais tarde descobriu-se que a empresa funcionava como uma pirâmide, pagando os contratos vencidos com o dinheiro da entrada de novos investidores. Quando os saques superaram os investimentos, a pirâmide desmoronou.
As perdas das usinas de açúcar e álcool com derivados de câmbio atingiram R$ 4 bilhões durante a safra 2008/09. Esses prejuízos, estimados por empresas, bancos e consultorias financeiras ouvidas pelo Valor, enfraqueceram ainda mais boa parte das companhias do setor, que já enfrentavam problemas por conta do grande envididamento assumido para a construção de novas usinas, os projetos “greenfield”.
O diretor de Planejamento do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, João Carlos Ferraz, afirma que as linhas da Política de Desenvolvimento Produtivo não serão revistas. Por se tratar de um plano de longo prazo, não pode tomar como base a conjuntura atual do País, em que os cenários ainda estão muito instáveis por causa da crise global. “Estamos num período de incertezas e não podemos entrar numa discussão de revisão de metas antes de ver como a economia vai se comportar.”
Nos dias 10 e 11 de agosto aconteceu o 8º Congresso Brasileiro de Agribusiness em São Paulo, tendo entre os palestrantes os Secretários do Meio Ambiente e da Agricultura de São Paulo, o Sr. Arminio Fraga, a Senadora Kátia Abreu e o Governador do Estado do Mato Grosso.
Entre os destaques do que foi discutido, o Sr. Aminio Fraga aposta no país no retorno da crise em razão dos preços das commodities continuarem subindo, os juros atraírem capital externo e a facilidade de se trabalhar com o Brasil. Já o Sr. Francisco Graziano, Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, informou que existe um projeto de lei que prevê remuneração para quem protege o meio ambiente (água e verde).