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Informativo Diário 30/07/2010 –

1. IPEA eleva para 6,5% a previsão de crescimento do PIB

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elevou a previsão do crescimento do produto interno bruto brasileiro (PIB) para 6,5%.A estimativa faz parte do Sensor Econômico, uma analise bimestral divulgada pelo instituto. Os resultados referentes ao terceiro bimestre do ano foram divulgados nesta quinta, dia 29, em São Paulo.

No período entre maio e junho, o sensor apontou mudança na expectativa de crescimento da economia brasileira. A previsão para o aumento do PIB em 2010 passou de 5,5% para 6,5%. A melhoria na distribuição de renda, o aumento no consumo de alimentos e bebidas e a criação de empregos formais são fatores que contribuíram para esta previsão.

O documento também prevê um resultado melhor nas exportações, que devem chegar a US$ 180 bilhões este ano. A previsão anterior estava em US$ 175 bilhões. Já o total do que o Brasil compra no Exterior deve ficar nos mesmos US$ 160 bilhões da previsão anterior.

De acordo com o Ipea, a taxa de inflação projetada pelo setor produtivo para o fim do ano ficou em 5,5%. A estimativa dos juros passou de 11% para 11,5% ao ano.

O Sensor Econômico revela as perspectivas para o ano, conforme as previsões de um grupo de entidades do setor produtivo, que representa 80,6% do PIB do país. São ouvidos representantes do comércio, da indústria e da agropecuária.

Fonte: Canal Rural

2. CMN autoriza crédito emergencial para linha Pronaf Mais Alimentos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) instituiu nesta quinta, dia 29, uma linha de financiamento emergencial para agricultores familiares afetados pelas chuvas em Alagoas e em Pernambuco. O crédito, de acordo com o voto do CMN, será de até R$ 2 mil por produtor, com juros de 0,5% ao ano e prazo de dois anos para pagamento. Os recursos da linha são do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e da União, no valor total de R$ 70 milhões. As operações poderão ser contratadas até 30 de junho de 2011.

Além disso, o CMN autorizou crédito emergencial ao amparo da linha Pronaf Mais Alimentos, de até R$ 130 mil por agricultor. Até então, os recursos apenas poderiam ser aplicados em investimentos considerados novos, mas agora também poderão ser usados para recuperação da capacidade produtiva. Não se tratam, assim, de recursos adicionais, mas de ampliação de seu uso. Neste caso, o prazo para contratação também é de até 30 de junho do próximo ano.

– São operações similares às que o governo concedeu no caso de Santa Catarina. Se o povo de Santa Catarina teve, é mais do que justo que estes Estados também tenham – comentou o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt.

O CMN ampliou os prazos para uma série de renegociações e individualização de financiamentos para compra de terras pelo Fundo de Terras e da Reforma Agrária. De acordo com o CMN, para a renegociação das dívidas, os mutuários terão até 15 de junho do próximo ano. Além disso, poderão pagar as parcelas de 2009 e 2010 até 30 de junho do ano que vem sem perder bônus e outros benefícios.

No caso da individualização das operações que estavam inadimplentes, o prazo foi prorrogado para até 30 de junho de 2011. Com isso, os bancos terão até 30 de novembro do próximo ano para formalizar as negociações e até 30 de dezembro do ano que vem para informar ao Tesouro Nacional o número de contratos contemplados e os montantes da negociação.

O voto do CMN explica que as medidas foram motivadas pela complexidade das operações. Segundo o secretário, há 17 mil famílias com pedidos de renegociação ou individualização. Desse total, 400 já tiveram suas solicitações resolvidas e 6,7 mil estão com a documentação pronta no banco para que seja concluída a operação. Há ainda outros 10 mil casos em análise pelas unidades técnicas. Segundo Bittencourt, a solicitação da prorrogação dos prazos foi feita pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Fonte: Agência Estado

3. Produtores matêm contas sob controle em busca de melhor renda

Contabilidade, administração, planejamento, gestão e eficiência. Enganou-se quem achava que essas eram palavras típicas das empresas da cidade grande. Com a rentabilidade prejudicada pelas constantes quedas nas margens de lucro, aumento no custo dos insumos e a incerteza no valor das commodities, a saída para os produtores rurais é o planejamento cuidadoso de todas as etapas do negócio. A gestão eficiente das contas e dos investimentos é tão importante como as ferramentas tecnológicas que garantem produção farta e qualidade.

Importante, mas nunca simples. O pesquisador em socioeconomia da Embrapa Soja, Joelcio Lazzarotto, afirma que a gestão do agronegócio é um dos principais gargalos do segmento. Segundo ele, ainda é difícil para o administrador rural saber exatamente quanto custa e por quanto deve vender seu produto. Há falta de planejamento na relação entre custos e receitas.

– Propriedade rural eficiente não tem somente produção, mas também alto rendimento, que se obtém com excelência técnica aliada a um desempenho financeiro positivo – destaca Lazzarotto.

Neste ano, um grupo de produtores de arroz do Estado deixou de vender a produção por R$ 33 a saca, por acreditar em preços melhores. Os preços não vieram e eles terão de aceitar R$ 26 para não perder o trabalho. Casos como esse são, enumera o diretor técnico do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Valmir Menezes, exemplos típicos de problemas na gestão e no planejamento da safra. Sem metas a cumprir e com o total de custos indefinido, fica impossível planejar uma venda rentável. Menezes comenta que a gestão começa com os custos e vai até a comercialização.

Na Estância Warlene, as estratégias fazem parte do trabalho diário. Ângelo Dovigi Filho, 33 anos, planta há quatro e alia os conhecimentos adquiridos com o pai, arrozeiro há mais de cinco décadas, com os ensinamentos obtidos na faculdade de agronomia e na pós-graduação em administração rural.

Enquanto muitos produtores deixam para preparar o solo pouco antes de semear, Dovigi iniciou os trabalhos com a terra em abril. Cerca de 60% dos 580 hectares já estão preparados para a próxima semeadura. Todo o esforço é para estar com a área pronta em setembro, considerada melhor época para o plantio, e ter os gastos sob controle.

– Plantar cedo é um dos principais artifícios para se obter boa produtividade – destaca o arrozeiro, que neste ano colheu 7,2 toneladas por hectare.

Gerir o negócio de forma planejada e profissional não é um luxo para poucos. Para Angelo Aguinaga, técnico da gerência de agronegócio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul, uma das alternativas para os agricultores familiares pode estar nos associativismo. Compras cooperativadas de insumos, estratégias coletivas de venda e compartilhamento das ferramentas de gestão e capacitação oferecem às pequenas propriedades uma eficiência que não teriam se estivessem isoladas.

– O cooperativismo, tão praticado no Rio Grande do Sul, precisa se espalhar como cultura para todo o país – ensina o diretor da Associação Brasileira de Agribusiness, Luiz Antônio Pinazza, lembrando que não é necessário ter uma gestão sofisticada, com softwares ultramodernos, para calcular os números da pequena propriedade.

Fonte: Zero Hora

4. Governo acumula dívida rural

Quase um mês depois do encerramento da safra 2009/10, o governo federal ainda não conseguiu liquidar os compromissos financeiros assumidos com produtores rurais e cooperativas do Paraná. Sem dinheiro em caixa, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) suspendeu compra direta de milho e feijão do estado e ainda não sabe como vai pagar as dívidas do programa de Aquisições do Governo Federal (AGF) de trigo. Os produtores esperam pagamento de mais de R$ 300 milhões, incluindo os leilões com Prêmio para Escoamento do Produto (PEP).

A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) reivindica a quitação de R$ 62 milhões em operações da AGF de trigo. A Conab reconhece dívida de R$ 43,5 milhões. O valor a que a Ocepar se refere incluiria lotes cuja venda ainda não foi concretizada, argumenta Lafaete Jacomel, superintendente da estatal no estado. A Companhia admite que o orçamento limitado e a demora no repasse dos recursos pela União ao estado podem comprometer os pagamentos. “Não trabalhamos com dinheiro em caixa para esse tipo de operação e dependemos do aval de Brasília para concluir as vendas e fazer os pagamentos aos produtores”, afirma Jacomel.

A expectativa, relata o técnico da estatal Eugênio Stefanelo, é que os recursos sejam liberados nas próximas semanas. “Mas, se essa verba acabar não saindo a Conab pode ter que devolver o trigo aos produtores, assim como já está acontecendo com o feijão e o milho”, observa.

No caso do feijão, os agricultores começaram a ser chamados pela estatal para recolher o produto há dois meses. Produtores de milho devem ser notificados em breve. Segundo a Ocepar, as operações de AGF de feijão não efetivadas somam R$ 12 milhões. Nas contas da Conab, porém, são R$ 9 milhões.

No milho, o produto depositado em armazéns da companhia soma R$ 24 milhões, conforme levantamento das cooperativas. Desse total, apenas o equivalente a cerca de R$ 4 milhões devem ser de fato vendidos ao governo e o restante deve voltar ao produtor, calcula o gerente técnico econômico da organização Flávio Turra.

A Conab informa que houve mudança de estratégia no meio do caminho. “O milho precisou de apoio à comercialização e a Conab adquiriu um pouco de estoque. Mas logo em seguida resolveu optar pelo PEP em vez do AGF. Produtores e cooperativas foram comunicados da decisão e instruídos a procurar os leilões de PEP”, diz Jacomel.

O pagamento de prêmios para o escoamento de trigo concedido pela estatal a indústrias e cooperativas em leilões de PEP também estão pendentes, apesar de ainda não estarem atrasados. Conforme levantamento da Ocepar, a Conab concedeu R$ 216 milhões em subsídios através dos leilões, sendo um terço desse montante às cooperativas. O sistema ainda teria R$ 49 milhões para receber (73% do total repassado às cooperativas). Jacomel relata que essas operações ocorreram entre outubro de 2009 e março de 2010 e o pagamento está sendo feito dentro do prazo. “Em muitos casos ainda nem recebemos a documentação”, afirma. Sua previsão é que os pagamentos saiam até dezembro. Desestímulo - Luiz Carlos da Cruz, correspondente.

Reclamações tomam conta de reunião técnica Cascavel - As reclamações em relação à política nacional para produção de trigo tomaram espaço de assuntos técnicos no encontro que reúne 200 pesquisadores e profissionais da agricultura em Cascavel nesta semana. Eles buscam alternativas para elevar a produção do cereal, mas uma série de fatores puxa o setor para outro lado.

A 4ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale termina nesta quinta-feira, com a apresentação de 96 trabalhos de pesquisas. Elas vão compor um livro que servirá como guia para as próximas safras. As pesquisas auxiliarão no desenvolvimento da cadeia produtiva, que terá de obedecer novos padrões – da escolha da semente à classificação do produto – a partir do ano que vem.

Na contramão desses esforços, os baixos valores de mercado e a falta de políticas públicas para o setor frustram os produtores. Eles ainda aguarda o pagamento de trigo do ano passado e tentam reverter a redução do preço mínimo para a safra 2010/11. Luiz Carlos Miranda, presidente da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem) diz que, apesar da ampla defesa do aumento da produção da faixa de 5 milhões para a de 7 milhões de toneladas, o governo federal não tem interesse em tornar o país autossuficiente. O consumo chega a 11 milhões de toneladas.

Para Miranda, o Brasil continuará dependendo da importação do produto de países como a Argentina. O país vizinho consegue vender trigo para o Nordeste brasileiro a preços inferiores aos necessários para cobrir os custos dos estados do Sul.

O agrônomo e pesquisador Ivan Schuster, da Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec), que atende 34 cooperativas brasileiras, diz que falta uma política clara de incentivo a produção. “Nós temos área suficiente para plantar e trigo e sermos autossuficientes, mas os baixos valores desestimulam o agricultor.” Ele observa que não há alternativas para o cultivo no inverno e, por menor que seja a receita, os agricultores seguem optando pelo trigo no Paraná.

O estado é responsável por metade da produção nacional. Deve atingir 3 milhões de toneladas na safra que acaba de ser semeada. Se as plantas que já chegaram à fase de florescimento não forem atingidas por geadas fortes, o Paraná tende a alcançar a média de 2,68 mil quilos por hectare – 600 quilos a mais do que no ano passado.

Fonte: Gazeta do Povo

5. Etanol de milho no foco da Aprosoja

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) informou que vai iniciar um projeto para estudar a viabilidade de agregar a usinas de biodiesel do Estado também a produção de etanol de milho.

O projeto, que deve obter a parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), busca encontrar soluções para dois gargalos, segundo o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira. O primeiro é o de otimizar as estruturas industriais já implantadas de produção de biodiesel, muitas delas ociosas. A segunda é de agregar valor à produção de milho do Estado, que tem "sobra" anual de mais de 6 milhões de toneladas.

Um projeto-piloto deve ser iniciado nos próximos 30 dias, segundo Silveira, na usina da Cooperativa Agroindustrial do Parecis (Coapar), localizada em Campos de Júlio (MT). A escala ainda será experimental. Mas, se a viabilidade econômica da usina "flex" for comprovada, o objetivo é que se estenda a produção para 40 usinas com potencial para processar juntas dois milhões de toneladas de milho. O volume equivale a 24% da produção do grão de Mato Grosso, que deve ser de 8,35 milhões de toneladas neste ano. "De tudo o que produz, o Estado só consome 2,2 milhões de toneladas do grão, basicamente para ração de frango e suíno", diz Silveira.

Ele explica que a maior parte das usinas de biodiesel que foram implantadas no Estado nos últimos anos está desativada ou produzindo apenas óleos (soja, girassol, etc). Entre outros fatores, há o fato de os preços dos óleos estarem mais atrativos que os do próprio biodiesel.

Assim, agregar uma usina de etanol de milho traria algumas vantagens e a necessidade de apenas metade dos investimentos demandados em uma usina convencional, pois há compartilhamento de equipamentos com a operação de biodiesel, explica. "O processo industrial do etanol de milho é basicamente esmagar e fermentar por meio de enzimas."

A Embrapa também estuda neste momento o cultivo de sorgo sacarino na safrinha do Mato Grosso para produção de etanol. "Já iniciamos uma aproximação com a Aprosoja no projeto com o milho e, agora avaliamos como a instituição se envolverá", diz o chefe-geral da Embrapa em Mato Grosso, João Flávio Veloso Silva.

Fonte: Valor Econômico

6. Sem interesse de frigoríficos, bolsa para venda de boi patina

Lançado em abril pela Bolsa Brasileira de Mercadorias, o sistema eletrônico de comercialização de gado bovino está longe de decolar. Em quatro meses de operação, a "bolsa da carne" negociou apenas R$ 508,5 mil com a venda de 465 cabeças de gado. Outros 800 bois foram ofertados, mas não tiveram compradores. Ontem, mais um lote de 40 cabeças não despertou interesse dos frigoríficos.

A Bolsa, controlada pela BM&FBovespa, previa inicialmente um volume de R$ 2,5 bilhões em negócios para 2010. Mas as operações devem ficar bem longe disso. Pecuaristas acusam os frigoríficos de "jogo pesado" para evitar o modelo de depósito antecipado e conciliação de conflitos via arbitragem interna.

"Os frigoríficos estão jogando duro, oferecendo mais pela arroba fora da bolsa porque preferem o modelo tradicional onde o pecuarista não tem garantia nenhuma de receber", afirma o presidente da Federação de Mato Grosso (Famato), o pecuarista Rui Prado. Os produtores temem a reedição de problemas gerados pela quebra ou recuperação judicial de frigoríficos, como Independência, Margen, Arantes ou Frialto.

Pelas regras, as indústrias têm que depositar 90% do valor do lote dois dias antes de retirar o gado dos currais. E depositar os outros 10% em até 10 dias úteis na conta de liquidação da Bolsa. Quem descumprir o contrato, paga multa de 10%, de acordo com a decisão do juiz arbitral.

Em sua defesa, as indústrias reclamam do custo das operações e afirmam que os criadores não ofertaram gado suficiente na bolsa para abastecer o mercado. "Depende do produtor, e não de nós. Na bolsa, ainda não há oferta suficiente. Aonde tem boi, o frigorífico vai atrás", diz o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. "Se tivesse escala, teria participação".

Em Goiás, a federação dos produtores lançou o programa "Boi na Bolsa" para tentar atrair ao sistema eletrônico os pecuaristas ligados a confinamentos de bois. "No inicio de agosto, começam a entrar os bois de confinamento. Goiás abate de 2,5 milhões e 3 milhões de cabeças confinadas por ano. Boa parte disso vai para a Bolsa", afirma o presidente da comissão de pecuária da Faeg, José Manoel Caixeta.

Segundo ele, há 1,8 mil pecuaristas do sistema "Pesebem" da federação, donos de 300 mil cabeças, mais aptos a entrar no negócio. "Inovaram uma vez com o Pesebem e vão fazer de novo. Eu mesmo vou ofertar 150 cabeças em agosto", afirma

Diante do impasse, a Bolsa tenta estabelecer um acordo no setor. "Ninguém dos frigoríficos é contra, mas eles vão esperar o pecuarista dar o primeiro passo", avalia o diretor de Novos Produtos da Bolsa, Edílson Alcântara. "Esperava-se um envolvimento maior dos pecuaristas porque é a segurança é um forte benefício. Mas ainda resistem a mudar". O produtor, diz ele, ainda prefere vender a arroba R$ 80 em 30 dias fora da Bolsa do que receber R$ 78 à vista no leilão eletrônico. E rebate o argumento do custo esgrimido pela indústria: "Ela paga R$ 500 a cada R$ 100 mil em negócios. É muito barato pelo que se oferece", diz Alcântara. O setor tem faturamento de R$ 50 bilhões anuais e abate 40 milhões de cabeças por ano, segundo ele, mas "não tem nada escrito" sobre responsabilidade, documentação, formalização e ainda usa entrega em caminhão alugado. "Temos um sistema de comercialização inacreditável", aponta.

A Bolsa avalia buscar novas vantagens para atrair a indústria aos leilões. A instituição negocia com o Banco do Brasil a criação de uma linha de crédito agroindustrial para financiar exclusivamente a compra de gado à vista pelo sistema da Bolsa. "Esse dinheiro sairia da conta do comprador direto para a conta de liquidação", diz Edílson Alcântara. A Bolsa e o BB negociam limites de crédito e juros. "Vai depender da análise de cada empresa, mas seria algo entre 1% a 1,7% ao mês".

O diretor da Bolsa afirma que poderiam ser usados recebíveis (duplicatas, notas promissórias) de clientes de frigoríficos, como grandes varejistas, para reforçar os limites de crédito. "Para médios e pequenos frigoríficos, seria um bom capital de giro", avalia Alcântara.

Para completar a oferta de benefícios, a Bolsa também avalia entrar em leilões de reposição de rebanhos, hoje feitos via internet, TV ou telefone. O modelo é a Bolsa de Rosário, na Argentina. "Continua tudo igual, mas faz a liquidação na Bolsa. E poderíamos expandir para suínos, peixes, frangos", diz Alcântara.

Fonte: Valor Econômico

7. Alta do trigo já preocupa os moinhos brasileiros

O setor moageiro de trigo no Brasil já está em alerta diante da explosão dos preços do cereal. As indústrias que importam estão se deparando com altas superiores a 30% em comparação com cotações feitas há 30 dias. A maior valorização está sendo observada nos Estados Unidos, um dos grandes exportadores do cereal. O país é a principal alternativa de fornecimento neste momento em que não há oferta de trigo argentino.

Segundo levantamento do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo), em 29 de junho a tonelada do cereal americano posto FOB (Free on Board) no Golfo do México era de US$ 178. Ontem, a mesma tonelada estava valendo US$ 240, alta de 35%. Na Argentina, onde há pouca disponibilidade do cereal, o ganho acumulado nos últimos 30 dias foi de 15%, segundo o sindicato.

Christian Mattar Saigh, vice-presidente do Sindustrigo, diz que a necessidade de aquisição de trigo importado é de cerca de 400 mil toneladas por mês. Apesar de alguns moinhos estarem relativamente abastecidos, essa não é a realidade de 100% do setor e haverá necessidade de se buscar trigo no mercado externo entre este mês e início de outubro, quando entra a safra brasileira.

Ele afirma que uma solução possível é colocar no mercado, por meio de leilões governamentais, as cerca de 1 milhão de toneladas do cereal da safra passada. "Apesar de ser de menor qualidade, esse volume pode ajudar na mistura com o cereal superior", diz Saigh.

Para realizar mais leilões, no entanto, o executivo pondera que é preciso que o governo libere aos moinhos os recursos represados referentes aos leilões passados. "De tudo o que foi feito de PEP em 2009/10, o governo restituiu o setor em apenas 30%. Precisamos desse capital de giro para novas aquisições".

Com um consumo de cerca de 10 milhões de toneladas, o Brasil é um dos maiores importadores mundiais de trigo. Neste ano, a produção interna deve atingir 5 milhões de toneladas, segundo estimativa do Sindustrigo. (FB)

Fonte: Valor Econômico

8. Goianos podem exportar até 240 mil toneladas de soja para a China

O presidente da Honouround Internacional Trading Co.LLC, o chinês Tom Lin Tan, esteve reunido, na segunda-feira (26), com o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Alécio Maróstica, assessores técnicos da Federação, com o secretário de Planejamento do Estado, Oton Nascimento e representantes de empresas e outras entidades para tratar do projeto de exportação de soja goiana para a China.

Segundo o analista de mercado da Faeg, Pedro Arantes, o maior interesse do empresário chinês é comprar a soja pronta para o embarque – ou seja, dentro do navio e se possível para a próxima safra. Mas para isso, os produtores goianos terão que deixar tudo pronto e contratar serviços para fazer o trabalho de transporte da soja goiana, até o porto de Itaqui no Maranhão. “Há uma empresa interessada em fazer esse trabalho, mas antes será necessário conhecer o trabalho e a proposta dela”, resume Arantes.

O empresário chinês disse que possui disponibilidade para comprar de até quatro navios Panamax de soja. Cada navio desse tipo comporta em média 60 mil toneladas do grão. Goiás tem condições de fonecer o produto. Pedro Arantes diz que se descontados todos os custos e o produtor ganhar dólar por saca de soja no navio, o lucro é bastante interessante. São necessárias 16,6 sacas para compor uma tonelada de soja. Tom Lin Tan explicou que não deseja comprar soja direto do produtor no interior do Estado, sem antes conhecer a região.

Porém, o gargalo do produtor goiano é a falta de armazém próprio ou geral para estocar a soja e depois retirá-la para vender. Sabe-se que a maior parte da soja goiana é estocada em armazéns privados. O problema é que depois de assinado o contrato de estocagem dificilmente o produtor consegue tirar esse grão para vendê-lo seja para quem for.

Na terça-feira (27), a comitiva que acompanha o empresário chinês fará um sobrevôo pelo interior do Estado. O grupo saiu de Goiânia pela manhã e passam hoje, por Padre Bernardo, Goianésia, Jaraguá, Uruaçu, Niquelândia, Porangatu, Planalto Verde e Luís Alves. Na quarta (28), o grupo seguiu para São Miguel do Araguaia, Matrichã, Jussara, Mineiros e depois seguem para a sede da Caramuru, que já exportam soja para a China. A expectativa é de que Tom Lin volte da vôo motivado a ampliar o projeto de compra de soja goiana.

Fonte: FAEG

9. Influência externa nos contratos futuros do milho

Influência externa. Os contratos futuros do milho encerraram em alta na quinta-feira na bolsa de Chicago, influenciados pelo bom desempenho do trigo no mercado. Segundo analistas ouvidos pela agência Dow Jones, preocupações com a oferta europeia e russa - regiões produtoras que enfrentam forte seca nesta safra - estão provocando uma forte alta no trigo. E isso torna o milho mais atraente para produtores de ração, que podem preferir um ou outro cereal, dependendo do preço. Na bolsa de Chicago, os papéis com vencimento em dezembro encerraram o dia a US$ 3,9375 por bushel, com alta de 3 centavos. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos do milho ficou em R$ 19,37, com alta de 0,17%, segundo o indicador Cepea/Esalq. No mês, a commodity acumula alta de 3,35%.

Fonte: Valor Econômico