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Informativo Diário 26/07/2010 –

1. Aplicação do crédito rural aumenta quase 30%

A aplicação do crédito rural para agricultura empresarial durante a safra 2009/2010 subiu 28,7%, comparando com o ciclo agrícola anterior. Entre julho de 2009 e junho de 2010, os produtores tiveram acesso a R$ 84,4 bilhões destinados a custeio, comercialização e investimento. Os dados foram consolidados nesta semana pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/Mapa).

Somando os recursos liberados para a agricultura familiar, o valor investido na safra 2009/2010 totaliza R$ 95,6 bilhões. “O resultado é bastante positivo, ainda mais se considerarmos que, no ano passado, houve uma retração dos financiamentos privados por causa da crise financeira internacional”, considera o diretor de Economia Agrícola do ministério, Wilson Araújo.

Médio produtor - Destaque para os desembolsos voltados à classe média rural. No período, foram R$ 3,16 bilhões pelo Programa de Geração de Emprego e Renda Rural (Proger Rural), número 390% superior ao registrado na safra 2008/2009.

A contratação de recursos para investimentos em práticas sustentáveis na lavoura também apresentou desempenho expressivo. Houve crescimento de quase 200% nas liberações do Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio (Produsa) que alcançaram R$ 475,3 milhões no ciclo concluído no mês passado.

Outro financiamento muito procurado pelos agricultores foi o Programa de Sustentação do Investimento (PSI-BK), linha de crédito com condições especiais, criada ano passado por conta da crise financeira mundial. Somente para aquisição de máquinas e equipamentos foram desembolsados R$ 4,5 bilhões. Até então, esses equipamentos eram financiados pelos programas de Modernização da Frota de Tratores, Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem (Moderinfra). Araújo lembra que o programa é temporário, mas ainda pode ser contratado até dezembro. Os recursos são financiados em um prazo de 10 anos a juros de 5,5% ao ano.

Nova safra - Desde 1º de julho os produtores agrícolas podem contratar crédito para safra 2010/2011. O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para o novo ciclo terá à disposição do segmento empresarial R$ 100 bilhões. Para atender aos médios produtores são R$ 5,65 bilhões pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), sucessor do Proger Rural. Outra prioridade do governo, o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) tem uma linha de financiamento com R$ 2 bilhões. Outros R$ 16 bilhões serão direcionados à agricultura familiar.

Fonte: MAPA

2. Avanços técnicos dão impulso às lavouras no País

Uma série de avanços técnicos, abrangendo os principais produtos agrícolas brasileiros, contribuiu para que as lavouras quadruplicassem o valor nominal da sua produção de 1996 a 2006, e aumentassem a sua participação na riqueza do campo. Além disso, houve um grande aumento dos preços das principais commodities agrícolas na última década, puxado pela demanda chinesa e asiática.

Mauro Lopes, pesquisador do Centro de Economia Agrícola (CEA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, nota que a venda de máquinas agrícolas cresceu a um ritmo anual de 8,7% durante dez anos, enquanto a área cultivada expandiu-se a uma taxa de 1,2% ao ano. Essa mecanização intensa combinou-se com diversos avanços biológicos para, na visão dele, criar "uma das agricultura mais competitivas do mundo".

Um dos principais avanços, ele observa, foi a chamada "soja tropical" da Embrapa, que permitiu que o seu cultivo se espraiasse a partir do norte do Paraná, chegando ao cerrado do Centro-Oeste e hoje já atingindo a Bahia, o Maranhão, Piauí e as bordas da Amazônia. O pesquisador nota ainda que a variante transgênica, ao trazer redução de custo de defensivos agrícolas, "salvou a soja no Rio Grande do Sul".

Outra conquista da Embrapa foi a adaptação do algodão ao cerrado. Com isso, como explica Ignez Vidigal Lopes, esposa de Mauro Lopes, e também pesquisadora do CEA, "o algodão mudou de fronteira, saindo do Sul e indo para o Centro-Oeste".

Os pesquisadores citam também, como desenvolvimentos importantes da agricultura brasileira, a "safrinha", a segunda safra anual de milho, plantada em fevereiro, e que hoje já é maior que a safra de verão em Mato Grosso; o arroz longo-fino irrigado do Rio Grande do Sul, que permitiu se passar de 5 mil para 8 mil quilos por hectare, e o pré-germinado, que chega a dez mil quilos por hectare; o milho saracura de raiz profunda, mais resistente à seca; o aumento de produtividade da cana, que saiu de 85 para 140 toneladas por hectare em São Paulo; e o feijão irrigado com pivô central; entre outros.

Agricultura familiar. O trabalho "Quem Produz o Que no Campo: Quanto e Onde II", que teve como principais pesquisadores Ignez, Mauro e Daniela de Paula Rocha, do CEA, e foi divulgado este ano, mostra ainda que a agricultura familiar perdeu participação nos principais produtos agrícolas.

A pesquisa, com base no Censo Agropecuário de 2006, mostra que 3,3 milhões de propriedades rurais no Brasil podem ser consideradas de agricultura familiar, como base nos critérios de enquadramento no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os estabelecimentos não enquadráveis são 1,6 milhão, perfazendo um total de 4,9 milhões de propriedades rurais no Brasil.

As propriedades enquadráveis no Pronaf são responsáveis por 19,5% da produção rural, e as não enquadráveis, por 80,1%. A participação da agricultura familiar (enquadrável) na produção, entre os Censos Agropecuários de 1995/1996, caiu de 22,5% para 20% em grãos; de 42,2% para 36,1% na horticultura; de 73,2% para 48,7% na mandioca; de 23,7% para 19,5% na batata; de 19,8% para 0,5% no algodão; de 14,4% para 8% na laranja; e de 86,3% para 74% no fumo. A participação aumentou no período de 4,3% para 4,5% na cana; e de 4,8% para 8,5% na silvicultura.

Os desembolsos do Pronaf quadruplicaram entre as safras 2002-2003 e 2009-2010.

Enquadramento

Pelos critérios do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, 3,3 milhões de propriedades rurais no Brasil podem ser consideradas de agricultura familiar.

Fonte: O Estado de São Paulo

3. Frota flex maior e demanda por açúcar garantem futuro da cana

Um futuro promissor desenha-se para a cana-de-açúcar no país. O crescimento da frota de veículos flex, o aumento do consumo de açúcar nos países emergentes e os gargalos em geração de energia elétrica no Brasil garantirão o consumo dos produtos derivados da cana, que já movimenta US$ 86 bilhões por ano, segundo estudo do centro de pesquisa Markestrat.

Diante de uma demanda firme, quais movimentos podemos esperar do setor para os próximos dez anos? Em 2020, devemos chegar ao processamento de 1,2 bilhão de toneladas de cana (ante 660 milhões atuais), que renderão mais.

A produtividade passará das atuais 80 toneladas por hectare para até 100 toneladas, em resposta a inovações tecnológicas.

O setor também será mais profissionalizado, com a colheita quase totalmente mecanizada e relações de trabalho aprimoradas. Mais concentrada e internacionalizada, a indústria contará com forte presença de petroleiras e tradings, que já buscam aproveitar o consumo de 3 milhões de carros flex que entram no mercado brasileiro todos os anos.

Em 2020, cerca de 90% da frota será flex, e o consumo de etanol deverá chegar a 70 bilhões de litros, com fatia superior a 80% do mercado. O setor será mais competitivo (ineficiências serão superadas), sustentável (autossuprido de eletricidade e combustível) e flexível, processando variedades geneticamente modificadas de cana, de beterraba e gerando plástico, diesel, gasolina, querosene e outros produtos inimagináveis.

No açúcar, a China garantirá o acréscimo de demanda. Os chineses consomem apenas 11 quilos por ano, enquanto o consumo per capita no Brasil é de 60 quilos por habitante.

BENEFÍCIOS

Devido à elevada participação do país no mercado mundial da commodity, seremos os principais beneficiados desse movimento. Neste ano, teremos mais de 50% de participação no mercado global, com produção de 37 milhões de toneladas, exportando 25 milhões.

Para atender à China e ao aumento do consumo para fins industriais, o Brasil deve produzir cerca de 45 milhões de toneladas em 2020, sendo aproximadamente 35 milhões exportadas. Assim, nossa participação no mercado mundial subirá para 65%.

E, na geração de eletricidade, diante da expansão de demanda de 10% ao ano no Brasil, a cana deve tornar-se mais relevante. De uma fatia estimada em 4% na geração neste ano, o setor sucroalcooleiro deve fornecer algo entre 10% e 15% para o consumo de energia em 2020.

Se em 2005 alguém dissesse que o consumo de etanol teria os volumes de hoje e cresceria entre 20% e 25% ao ano, que a maior empresa do setor seria uma petroleira holandesa e que da cana seriam gerados diesel e plástico seria tachado de louco.

Será que acertarei? Será que alguém vai lembrar? O problema é que a internet vai guardar este texto e alguém vai achá-lo em 2020...

Fonte: Folha de São Paulo

4. Previsão menor para safra de cana

Por causa da forte estiagem que deixou algumas regiões do Centro-Sul sem chuva por até 130 dias, a consultoria Datagro revisou sua estimativa de moagem de cana-de-açúcar da safra 2010/11 para 585 milhões de toneladas, ante as 604 milhões previstas anteriormente. Se os números se confirmarem, a moagem ainda será 8,1% maior do que as 541 milhões de toneladas processadas no ciclo 2008/09.

A seca prolongada prejudicou o desenvolvimento da cana que será colhida no fim da safra - entre outubro e dezembro - e, por isso, a produção de açúcar deve ser reduzida em 500 mil toneladas em relação à estimativa anterior, atingindo 32,9 milhões de toneladas no Centro-Sul. Assim, explicou Plínio Nastari, presidente da Datagro, o mix ficará mais alcooleiro, pois a cana processada tende a ter menor qualidade de açúcar (ATR) por tonelada na reta final da moagem. De 58,3%, o percentual médio da cana destinada à produção de etanol deve subir para 58,5%.

A Datagro reduziu também sua previsão para exportação de álcool do país - de 3,75 bilhões de litros para 1,72 bilhão de litros. A retração deve-se principalmente à menor exportação - direta e indireta - de etanol para os Estados Unidos. "No entanto, a demanda da alcoolquímica continua firme", disse. O excedente que não for exportado deve ser absorvido no mercado interno.

Com a produção menor de açúcar e álcool e a demanda dos dois produtos em crescimento, a tendência é de valorização de preços e menor volatilidade no mercado este ano. Apesar dos fundamentos positivos, Nastari não acredita que haja ambiente para retomada de investimentos de grande porte no setor. "O momento ainda é de redução da alavancagem".

A estimativa da Datagro é de que há um ano o setor sucroalcooleiro tinha um endividamento na casa dos R$ 44 bilhões, valor que hoje deve estar entre R$ 37 bilhões e R$ 38 bilhões.

Ainda que os investimentos em novas usinas comecem a ser retomados em 2011, estes serão feitos com mais disciplina, após a última crise. Segundo levantamento da Datagro, que em três meses deve abrir um escritório em Londres, o custo industrial para implantação de uma usina com capacidade para moer 2,5 milhoes de toneladas é de US$ 110 por tonelada, ante os US$ 40 necessários em 2000. A taxa de retorno do investimento está entre nove e dez anos, segundo a Datagro. (Fabiana Batista)

Fonte: Valor Econômico

5. EUA vão exigir mais testes para detectar resíduos em carne

No rastro das negociações para retomada das exportações de carne processada brasileira aos Estados Unidos, as autoridades sanitárias americanas informaram ao governo que passarão a exigir testes laboratoriais para outras substâncias de medicamentos veterinários usados no rebanho bovino.

As vendas nacionais do produto foram suspensas no fim de maio, por iniciativa do Brasil, justamente em razão da descoberta de resíduos da substância ivermectina no produto final embarcado pela JBS S.A. Desde então, o Brasil negocia com os EUA alterações na metodologia utilizada para a detecção de resíduos de medicamentos e garantias para a correção de problemas descobertos em frigoríficos, fazendas e indústrias veterinárias.

A nova exigência dos EUA passará a valer após a retomada das vendas de carne processada brasileira ao parceiro comercial, o que deve ocorrer somente na segunda semana de agosto, conforme fontes do Ministério da Agricultura. Uma missão veterinária dos EUA virá ao país para avaliar a eficácia e os resultados do plano de ação adotado pelo Brasil em todos os frigoríficos habilitados a exportar carne aos americanos.

O Ministério da Agricultura espera concluir, até o fim desta semana, cerca de 500 testes laboratoriais em andamento. Para isso, um batalhão de especialistas foi mobilizado em vários laboratórios para garantir o cumprimento do prazo. O limite estatístico para a detecção de inconformidades foi fixado em 1% das amostras totais. E o governo se esforça para garantir esse teto, mas há dificuldades de manter os resultados positivos dentro desse estreito limite.

Algumas amostras teriam ficado acima do limite perseguido pelas autoridades brasileiras, informam fontes do governo. Em alguns casos, novos testes estão sendo conduzidos na tentativa de melhorar a performance laboratorial. Em outra frente de ação, a resolução do problema causado pela ivermectina deve levar o governo a mudar o foco de controle e fiscalização na cadeia produtiva.

Hoje centrado na auditoria das instalações de frigoríficos, o foco deve migrar para a linha de produção das indústrias veterinárias. Haverá um controle mais rígido de processos e produtos, seguindo o exemplo adotado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para regular a produção de medicamentos de uso humano. O objetivo é fechar o cerco à importação de medicamentos genéricos, sobretudo daqueles fabricados na China.

Diante da determinação do governo, o lobby da indústria já começou sua mobilização para garantir blindagem ao produto fabricado no Brasil. O Ministério da Agricultura já havia anunciado a disposição de reavaliar registros de medicamentos, além de alterações para obrigar os fabricantes a deixar mais claros os avisos sobre prazos de carência para uso de produtos.

Fonte: Valor Econômico

6. Em São Paulo, a 'bolsinha do feijão' resiste

Com as mãos cheias de feijão, compradores chacoalham o produto para saber se está seco, observam a cor para saber a qualidade e frescor. São cinco e meia da manhã no Brás e a "bolsinha de feijão" da Zona Cerealista está cheia, com feijão esparramado pelo chão, e os 27 corretores, que dela fazem parte há 10 anos, espalhados em baias nas extremidades do salão.

"Os pensadores do feijão estão ali", diz Elias Mello Saad José, diretor-tesoureiro da Bolsa de Cereais de São Paulo, órgão oficial do governo que fornece informações de preços de cereais para o governo e compradores, além de classificar e certificar produtos. "O dia em que isso acabar eu quero ver como vão ficar as coisas".

Apesar de não ser oficial, é nesse espaço que corretores expõem amostras de feijão de diferentes partes do Brasil, principalmente variações do carioca, e definem o valor do produto nacionalmente - o preço do feijão preto é definido no Rio de Janeiro.

Tudo funciona na base da oferta e procura. Na bancada de cada corretor, há pequenos saquinhos de papel com diferentes qualidades e o número de sacos de 60 quilos disponível anotado a caneta. Ainda que o consumo de feijão venha caindo nos últimos anos, todos os dias, quase dois milhões de quilos são comercializados na bolsinha.

A partir das 7 horas da manhã, os armazéns de feijão já estão a todo vapor para administrar a chegada do produto. Caminhões estacionam na frente dos grandes portões voltados para a rua e então os carregadores, ou "saqueiros", entram em ação. Boa parte dessa riqueza passa, literalmente, por suas cabeças, que equilibram os pesados sacos de 60 quilos das caçambas até as altas pilhas.

Nascido em Taquarituba, no interior de São Paulo, André Cristiano da Silva, 35 anos, trabalhava, até 2006, como bóia-fria, no meio e no fim de ano, alternando com a atividade de carregador. Apesar da experiência, quando se mudou para a zona cerealista demorou pelo menos uma semana para se adaptar ao ritmo de trabalho. Depois dos primeiros 15 dias parado, procurando emprego, começou a trabalhar tanto que nem sobrava tempo para tomar uma cerveja ou ouvir um samba. Chegava a virar 24 horas de trabalho. "Você apaga e continua andando. Você não sabe o cansaço", lembra.

O corretor Valdemar Ortega, eleito pelos corretores o administrador da "bolsinha de feijão", tem outro tipo de desafio: chegar todos os dias antes das cinco horas para organizar o início do "pregão". Além disso, precisa ficar antenado no decorrer das negociações, vendendo e atendendo o telefone para passar informações sobre preços e quantidades para gente do Brasil inteiro. Na última quinta-feira, a saca do feijão (carioca pérola/rubi/comercial) na bolsinha era cotada por R$ 85,00 a R$ 90,00.

O mercado de feijão é bastante volátil, principalmente por conta dos tradicionais altos e baixos da oferta no país. Na safra 2009/10, que está sendo comercializada, a produção está estimada em 3,34 milhões de toneladas, 4,5% menos que no ciclo passado.

Quando Ortega, nascido no Brás, começou com corretagem, em 1966, não existia um local concentrando o comércio, como a bolsinha, e o feijão era muitas vezes vendido a granel. Ele levava as amostras pelas ruas do bairro, passando nos armazéns e, às vezes, reunia-se com outros corretores em um bar.

Na época, os clientes passaram a procurar os corretores. Em mesas improvisadas para mostrar os produtos em dois ou três bares da rua Santa Rosa, Valdemar começou a dividir espaço com outros dez corretores, como Edison Geraldo Perli, que chegou, também de Taquarituba, em 1971. Perli abriu seu escritório na região em 1999, seguindo um processo de profissionalização que já ocorria havia alguns anos. Só ficou lá até o dia 2 de maio de 2000, quando foi inaugurada a bolsinha.

Como a maioria dos corretores da bolsinha, Perli começou a carreira "puxando feijão" para a zona cerealista. O corretor Nelson Lourenço, ou Topete, era caminhoneiro. Veio de Itapeva - como Taquarituba, também uma região produtora de feijão do Estado - para a bolsinha trabalhar com seu pai e depois substituí-lo. Segundo ele, essa "transição" de caminhoneiro para corretor ocorre pois o caminhoneiro conhece bem o mercado, o produtor e a zona cerealista. "É um cargo de confiança".

Mas o caminhoneiro Wilson Souza Carneiro, 51 anos, não pretende mudar de profissão. Há 30 anos no negócio de venda de feijão, ele gosta da estrada e sempre volta para Itararé para ver a esposa. Até vender o feijão, ele passa o tempo acompanhando o mercado na bolsinha, jogando baralho ou tomando cachaça. "Cheguei a ficar uma semana enroscado aqui", diz.

Quando o caminhão chega a um armazém, o motorista já está impaciente, ansioso para continuar viagem. Mas antes de se ver livre da carga, passa por uma balança destinada a cargas de feijão que chegam à zona cerealista.

Então, os carregadores fazem um furo em cada um dos sacos para comparar a qualidade, tipo, secura, cor do produto com os grãos da amostragem do contratante. Se o feijão é outro e o se o grão escureceu por conta da umidade na viagem, mandam o produto embora.

Quando o trabalho nos armazéns é grande, procura-se carregadores extras numa esquina conhecida como "pedra". André Cristiano da Silva freqüentou o ponto por oito meses até conseguir um emprego fixo com carteira assinada no armazém D. Tradição.

Por enquanto vai se manter como "saqueiro", mas pretende, daqui a alguns anos, mudar-se para Miguelópolis, na divisa com Minas Gerais, e começar um negócio próprio: abrir um lava-rápido.

Sem ter pisado numa escola, o carregador baiano Vivaldo Serafim dos Santos, 32 anos, ex-bóia-fria, não faz muitos planos além de continuar seu atual ritmo de trabalho, morando no dormitório de seu armazém junto com outros três saqueiros. José de Souza já tem 66 anos, é aposentado, mas não pensa em parar de carregar os pesados sacos de batata e cebola, produtos também comercializados nos armazéns da Zona Cerealista.

Fonte: Valor Econômico

7. Reformulação da lei ambiental é suicida para agronegócio, dizem pesquisadores

O pesquisador Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, criticou o principal argumento para a defesa da reforma do Código Florestal: a alegação de que não existe mais área disponível para expansão da agricultura brasileira.

– O principal erro desse código novo é que ele não considera as áreas que foram disponibilizadas para a agricultura historicamente, mas que são de baixa aptidão agrícola e por isso são subutilizadas hoje, sem papel ambiental e com baixo rendimento econômico, como os pastos em alta declividade – afirmou.

Segundo ele, o entorno das rodovias Dutra e D. Pedro, na região da Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, em São Paulo, são exemplos de áreas de uso agrícola inadequado que poderiam ser revertidas para florestas nativas, para compensação de RL de fazendas com elevada aptidão agrícola.

– Se isso não for feito, essas áreas continuarão sendo mal utilizadas. Podemos encontrar exemplos semelhantes em todo o território brasileiro – disse o pesquisador.

Outro impacto negativo da proposta de modificação do Código para a restauração, segundo Rodrigues, é a anistia proposta para as Áreas de Preservação Permanente (APPs) irregulares.

– Quem degradou as APPs não vai precisar recuperar e, pior, poderá continuar usando a área desmatada. Quem preservou vai ser punido – explicou.

Segundo ele, um inventário produzido pelo FAPESP este ano mostra que mais de 70% dos remanescentes florestais no Brasil estão fora das Unidades de Conservação e se localizam em propriedades privadas.

– Se não tivermos mecanismos legais para a conservação dessas áreas – como a RL e APP do código atual – elas vão ser degradadas depois da moratória de cinco anos determinada na proposta de alteração do Código – afirmou.

A reformulação do Código Florestal deverá diminuir a eficiência dos mecanismos legais de proteção ambiental. Uma das consequências mais graves será o impacto na qualidade da água. De acordo com José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, de São Carlos (SP), com o solo mais exposto, haverá um aumento da erosão e do assoreamento de corpos d’água, além da contaminação de rios com fertilizantes e agrotóxicos.

– A preservação de mosaicos de vegetação, florestas ripárias ou matas ciliares e de áreas alagadas é fundamental para a manutenção da qualidade da água de rios, lagos e represas. Essa vegetação garante a capacidade dos sistemas para regular o transporte de nutrientes e o escoamento de metais e poluentes. Esses processos atingem tanto as águas superficiais como as subterrâneas – disse Tundisi.

O processo de recarga dos aquíferos, segundo Tundisi, também depende muito da cobertura vegetal. A vegetação retém a água que, posteriormente, é absorvida pelos corpos d’água subterrâneos. Com o desmatamento, essa água escoa superficialmente e os aquíferos secam.

Tundisi criticou também a diminuição da delimitação das áreas preservadas em torno de rios. A modificação na legislação, para Tundisi, vai na contramão das necessidades de preservação ambiental.

– Seria preciso preservar o máximo possível as bacias hidrográficas. Mas o projeto prevê até mesmo o cultivo em várzeas, o que é um desastre completo. Enquanto existem movimentos mundiais para a preservação de várzeas, nós corremos o risco de ir na contramão”, afirmou.

Para Tundisi, com o impacto que provocará nos corpos d’água, a aprovação da modificação no Código Florestal prejudicará gravemente o próprio agronegócio.

– Se não mantivermos as áreas de proteção, a qualidade da água será afetada e não haverá disponibilidade de recursos hídricos para o agronegócio. Fazer um projeto de expansão do agronegócio às custas da biodiversidade é uma atitude suicida – disse.

A agricultura deverá ser prejudicada também com o aumento do preço da água.

– Trata-se de algo cientificamente consolidado: o custo do tratamento da água aumenta à medida que diminui a proteção aos mananciais – disse o cientista.

Fonte: Fapesp

8. Produtores lutam contra praga asiática

Os produtores rurais do Distrito Federal estão realizando o vazio sanitário da cultura de soja para proteger suas lavouras da ferrugem asiática. O vazio sanitário, que é a proibição do plantio e eliminação das plantas vivas da soja, é promovido pelo quarto ano consecutivo pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa/DF). A medida vigora de 1º de julho a 30 de setembro e foi adotada em caráter preventivo pela primeira vez no DF em 2007, com o objetivo de reduzir as chances de proliferação da doença.

"Com a ampla adoção da medida fitossanitária, a incidência da ferrugem é comprovadamente bem menor. Cai o custo de produção, porque o número de aplicações preventivas de fungicidas diminui, a quantidade de focos é reduzida e a produtividade aumenta", explica Álvaro Caldas, gerente de Defesa Sanitária Vegetal da Seapa/DF. Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem é uma das pragas mais devastadoras do campo: ataca as folhas e prejudica o desenvolvimento da planta. Quando a ferrugem ataca a plantação, controlá-la é uma tarefa complicada e cara. O fungo se espalha com facilidade, podendo ser transportado até mesmo pelo vento.

A contenção feita pelos agricultores se dá com uso de fungicidas, mas o método não é 100% eficaz porque, quando a soja cresce, os pés ficam muito próximos uns dos outros e o veneno não consegue atingir as folhas de baixo. Além disso, a pulverização é cara. A aplicação do fungicida custa R$ 35,00 por hectare.

Os produtores que tiverem plantas vivas de soja no período do vazio sanitário serão notificados para, em cinco dias úteis, procederem a eliminação total da soja. Quem não cumprir receberá uma intimação, determinando a ausência total da planta em cinco dias úteis. Caso haja nova reincidência, os autos serão remetidos ao Ministério Público para a abertura de processo, além de sanções administrativas. A Secretaria de Agricultura alerta aos produtores para que sigam as orientações e eliminem a planta viva de soja com rapidez. A Gerência de Defesa Sanitária Vegetal da Seapa/DF notificou 63 produtores que ainda não adotaram a medida. Para comunicar o descumprimento da medida basta ligar para o Disque Denúncia: 3447 8820.

Fonte: Tribuna do Brasil

9. Sinop ganha central de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos

Sinop, a 503 quilômetros ao norte de Cuiabá, ganhou uma central de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos para atender a demanda da cidade e outros municípios vizinhos com intensa atividade agrícola. A unidade é fruto de parceria com InpEV – instituto que representa a indústria fabricante de agrotóxicos para a destinação das embalagens vazias de seus produtos – e tem capacidade para receber até 400 toneladas de embalagens/ano. Mato Grosso possui atualmente 28 unidades de recebimento, 14 centrais e 14 postos.

Fonte: Diário de Cuiabá