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Informativo Diário 21/07/2010 –

1. Governo eleva projeção de crescimento da economia brasileira para 6,5% em 2010

A previsão oficial de crescimento da economia em 2010 saltou de 5,5% para 6,5%. Os números foram divulgados nesta terça, dia 20, pelo Ministério do Planejamento, que liberou o relatório de avaliação de receitas e despesas do terceiro bimestre.

A nova estimativa está no limite mínimo previsto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada. Após reunião com empresários da União Europeia, o ministro afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar o ano com crescimento de 6,5% a 7%.

O relatório também revisou para baixo a projeção da inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que caiu de 5,5% para 5,2%. A média da taxa Selic (que mede os juros básicos da economia) aumentou de 9,19% para 9,6% ao ano.

Fonte: Agência Brasil

2. Ruralista quer prorrogar prazo para exigência de cadastro rural

A bancada ruralista da Câmara Federal pressiona o governo para prorrogar o prazo para a exigência de certificação do cadastro de imóveis rurais com área até 500 hectares em todo o país.

A medida está prevista desde 2005 e o prazo para essas áreas vence em novembro de 2011. Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informa ter certificado apenas 21 mil dos 4,061 milhões de imóveis até ontem - ou 0,5% do total. Sem esse certificado, o produtor não pode realizar transações comerciais com a propriedade e fica impedido de solicitar financiamentos bancários. A medida é obrigatória em operações de transmissão de domínio, desmembramento, remembramento ou parcelamento das terras.

"Os prazos da lei são muito apertados, teóricos, otimistas em excesso. Causa celeuma e insegurança jurídica porque haverá avalanche de processos em 2011", argumentou o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) em audiência pública.

A Comissão de Agricultura enviou, na semana passada, um ofício ao presidente do Incra, Rolf Hackbart, para manifestar a necessidade de resolver o assunto de forma urgente. "Há um temor do segmento rural, dos negócios, dos cartorários porque contratos de gaveta vão aumentando. Os produtores têm que fazer dinheiro e pagar dívidas e, aí, vira uma ilegalidade só", disse Piau.

Os ruralistas querem adiar a exigência para áreas até 500 hectares enquanto avança o processo de certificação para propriedades acima de 500 hectares, cujo prazo vence em janeiro de 2011. "Essa decisão tem que vir até fim deste ano para ajustar o quanto antes", afirmou o vice-presidente da comissão, Silas Brasileiro (PMDB-MG).

O Incra informa que está em curso um processo de modernização de sua estrutura de informática para acelerar a certificação. "A certificação não anda porque os cartórios estão na caneta ainda", justificou o coordenador de Cartografia do Incra, Marcelo Cunha. "Estamos trabalhando muito, mas não dá para tratar isso de maneira tão simples, montar toda a cadeia de uma hora para outra. As coisas são paulatinas, não se pode fazer de forma assoberbada".

Cunha disse que foram feitos, até agora, certificações para 9,2 mil das 164 mil propriedades com área acima de 500 hectares - ou 5,6% do total. "Vamos acabar com a papelada, adquirimos software alemão para processar isso", disse Marcelo Cunha. "Até dezembro teremos certificação automatizada pela internet, sem necessidade de tramitar em superintendências e papeladas. Hoje, já se pode acompanhar o processo on line".

Cunha disse que haverá gerenciamento eletrônico de documentos e envio de dados via internet, além de emissão de certificação digital e integração eletrônica com cartórios de imóveis com investimentos federais de R$ 16 milhões na modernização do processo. "Até janeiro de 2011, saberemos se a automatização funciona. Se isso não for solução, não há outra solução a não ser prorrogar o prazo", admitiu o coordenador do Incra. "Não tem como abarcar tudo com a estrutura que temos. Com processo manual, não tem solução. Teria que multiplicar por 100 os funcionários", disse.

Uma lei de 2001 já previa a certificação dos imóveis, mas a estrutura do Incra não acompanhou as exigências. Os produtores são obrigados a georreferenciar propriedades, identificar e delimitar os imóveis. Até 2001, valiam matrículas precárias com descrições por escrito. Desde então, valem a localização espacial precisa do imóvel por meio de georreferenciamento.

Fonte: Valor Econômico

3. Representação da FAO no México conhece programas brasileiros de segurança alimentar

Representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) do México reuniram-se ontem (20) com o diretor do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Marcelo Piccin, para conhecer as políticas públicas brasileiras de acesso à água e alimentos.

Piccin informou que o Brasil não tem problemas na produção de alimentos, mas sim na distribuição que é dificultada pela concentração de renda. Para ele, a erradicação da fome deve ser guiada pela ampliação de programas de distribuição de alimentos e por estratégias de fortalecimento da agricultura, geração de renda e articulação dos programas sociais.

De acordo com dados do ministério, 80% do dinheiro do Programa Bolsa Família é destinado para a compra de alimentos e o programa aumentou em 29% a renda familiar dos beneficiados.

Ainda de acordo com o diretor, 95% dos beneficiários não deixaram de trabalhar, o que foi questionado pelos mexicanos. Segundo Luis Fernandéz Godard, coordenador de Promoção e Desenvolvimento Humano da FAO, muitas das pessoas que participam do programa semelhante em seu país, chamado Oportunidades, ficam acomodadas. "Observamos que a transferência pode inibir a criatividade. O trabalhador exerce uma função não muito rentável e não tenta sair disso porque sabe que pode contar com o governo", afirmou.

Segundo Godard, um projeto da FAO e da Secretaria de Agricultura do México busca coordenar as ações de combate à pobreza no país, mas faltam projetos que complementem o programa Oportunidades.

Segundo ele, a experiência brasileira que articula programas como do Bolsa Família, da Merenda Escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos possa ajudá-los a melhorar este aspecto, pois "com o isolamento não há combate a pobreza".

Fonte: Agência Brasil

4. Demora no porto encarece fertilizantes

A demora para desembarcar fertilizantes no Porto de Paranaguá neste mês já custou US$ 1,5 milhão aos importadores, de acordo com a Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep). O cálculo considera o gasto extra da indústria para pagar a sobreestadia dos navios. Segundo a Administração Portuária do Porto de Paranaguá e Antonina (Appa), o tempo de espera para navios com fertilizantes é de 15 dias. Ontem, quatro embarcações estavam atracadas no porto e mais 14 ao largo, à espera para atracação. Pelo porto paranaense entram mais de 50% das importações de fertilizantes.

""No final, quem paga esta conta é o produtor, porque o custo é repassado até o último elo da cadeia"", afirma Nilson Hanke Camargo, assessor técnico e econômico da Faep. Para o cálculo, a entidade considerou navios que carregam entre 30 mil a 40 mil toneladas, cujo prazo para desembarque varia de sete a 10 dias, e valor médio de demurrage (gastos com a sobreestadia) de US$ 25 mil por dia.

Camargo atribuiu a demora no desembarque do produto às condições do porto paranaense, que não permite navegação noturna e tem limitações de atracação. ""Seria preciso ter mais terminais para descarregar fertilizantes"", diz. Ele enfatiza que a preferência por Paranaguá se deve à vantagem do frete de retorno, situação na qual o mesmo caminhão que leva os grãos até o porto, retorna às áreas produtoras com fertilizantes.

O diretor técnico de Paranaguá, André Cansian, explica que o porto tem dois berços preferenciais para a entrada de fertilizante, podendo abrir um terceiro berço, em caso de volumes maiores. Cansian afirma que a equipe trabalha para evitar os problemas que o porto enfrenta na movimentação de fertilizante nos períodos de pico, entre julho e outubro. No ano passado, o porto inaugurou o terminal público de fertilizantes, mas a unidade ainda não conta com licenciamento ambiental. ""A ideia é que este terminal funcione ainda este ano"", afirma.

Fonte: Folha de Londrina

5. Frigoríficos embargam compra de boi de 221 propriedades

Os três maiores frigoríficos do Brasil - JBS/Bertin, Marfrig e Minerva - anunciaram que deixaram de comprar bovinos de 221 fazendas localizadas dentro de terras indígenas, unidades de conservação ou próximas a áreas recém-desmatadas no bioma Amazônia.

A ação é resultado do compromisso assinado, em outubro passado, pelos frigoríficos com o Greenpeace e o Ministério Público Federal do Pará e do Mato Grosso: cadastrar e mapear por satélite as fazendas de seus fornecedores diretos. Dessa forma, os frigoríficos estariam aptos a não comprar mais animais oriundos de áreas de proteção ou recém-desmatadas.

De acordo com informações prestadas pelos três frigoríficos à organização ambientalista, além das propriedades embargadas há ainda outras 1.787 propriedades estão em estado de "verificação". Isso porque elas estão localizadas em um raio de até 10 quilômetros de áreas desmatadas ou protegidas por lei. As empresas declararam também ter o ponto georeferenciado de mais de 12.500 fazendas, número que, segundo elas, representa 100% da cadeia de fornecedores diretos da região.

"Desde a assinatura do acordo passamos a trabalhar mais fortemente em sustentabilidade. E fazemos isso porque a sociedade quer. Nós temos de nos adaptar à nova realidade", diz Marco Bortolon, presidente da Divisão de Carnes Mercosul do JBS, que abate cerca de 30 mil cabeças de boi por dia.

A empresa investiu no mapeamento de pelo menos um ponto georreferenciado de todas as 9.813 propriedades que fornecem gado bovino ao grupo na Amazônia. Segundo Bortolon, 31 fazendas tiveram o fornecimento interrompido - o que representa um volume inexpressivo de carne para o JBS. Elas estão localizadas em áreas protegidas nos Estados de Rondônia, Acre, Pará e Mato Grosso.

Em nota, a Marfrig Alimentos informou nesta terça-feira (20) que suspendeu o fornecimento de gado de 170 fazendas pecuárias localizadas no bioma Amazônia a pelo menos 1 quilômetro de novos pontos de desmatamento. O grupo tem cinco unidades industriais na região - duas em Mato Grosso e três em Rondônia - e adquire cerca de 7% do gado criado no bioma.

Os ambientalistas alertam, no entanto, que para que o estancamento do desmatamento na Amazônia ocorra de forma eficaz e transparente, é indispensável a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Ele prevê o georreferenciamento total da propriedade rural e, assim, possibilita a identificação precisa de fornecedores.

JBS, Marfrig e Minerva responderam por 36% do abate na Amazônia em 2009, segundo o Greenpeace. "O restante vem de pequenos, médios e grandes frigoríficos que até agora não assumiram compromisso com o desmatamento zero e vendem seus produtos para o consumidor por meio de supermercados que não limparam suas prateleiras de passivos ambientais e sociais", diz a ONG.

"Na segunda fase, vamos olhar também para os supermercados e os outros frigoríficos que não participaram do acordo", diz Márcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil. Com isso, a organização ambientalista pretende forçar práticas sustentáveis na cadeia inteira, e não somente nos signatários do compromisso.(BB)

Fonte: Valor Econômico

6. Preços do etanol sobem 10% com ajuste feito pelas usinas

Com o aumento dos preços do etanol em alguns postos na Região do Centro-Sul na última semana, as usinas que têm flexibilidade na produção de açúcar e de álcool e que garantiram contratos futuros têm no atual cenário um melhor fluxo de caixa. Tais produtoras conseguem fazer a retenção do produto e estocar, segundo Miguel Biegai, analista da Safras & Mercado. Para o especialista, o momento é de "certo alívio financeiro, o que possibilita não vender o etanol a qualquer preço".

De acordo com Biegai, na última semana, o etanol na bomba subiu de R$ 0,92 centavos para até R$ 1,03, um aumento de 10% no centro-sul. "Algumas usinas sentiram a necessidade de melhorar a capitalização. Elas [usinas] não estão desesperadas em vender o produto a qualquer preço e, por isso, a oferta se retém e o etanol fica valorizado", afirmou. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), na última passada, o litro do etanol podia ser encontrado a R$ 1,53 nos postos.

O especialista contou que um segundo fator está relacionado com o clima. "A chuva atrapalhou algumas importantes regiões do centro-sul, como o interior do norte do Paraná, o interior de São Paulo e o interior do Mato Grosso do Sul. Isso diminui um pouco do volume", disse.

De acordo com o indicador semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea/Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), entre os dias 12 e 16 de julho, o etanol anidro fechou a cerca de R$ 0,94 por litro (sem impostos), equivalente a uma alta de 5,1% sobre a semana anterior. Para o hidratado, o preço final foi de cerca de R$ 0,82 por litro (sem impostos), alta de 6,75% em igual temporada. Segundo o balanço da semana, "esses preços se aproximam dos registrados no início de abril deste ano (em termos nominais), quando começou a safra no centro-oeste". Pesquisadores do Cepea acreditam que o mercado apresentou dois momentos diferentes na última semana: "No início do período, as cotações foram impulsionadas pela demanda elevada. Entre quarta e sexta-feiras, porém, a negociação foi mais lenta, com distribuidoras adquirindo apenas pequenas quantidades, o que estabilizou os preços", informou o Cepea.

A elevação de preços, destacou Biegai, é também em virtude da exportação de açúcar em grandes volumes e bons preços - contratos acertados em agosto de 2009 a fevereiro de 2010 foram travados em vários patamares: entre 22 e 25 centavos de dólar por libra-peso na bolsa Nova York.

Para Narciso Bertoldi, diretor executivo do Grupo USJ - que controla destilarias em Goiás, na região de Quirinópolis, e em Araras, no interior de São Paulo -, apesar da elevação, esses preços são momentâneos. "O mercado está justo, e os preços tendem a navegar em níveis mais equilibrados", afirmou. O executivo disse que depende da demanda para os preços na bomba se modificarem e que o etanol está longe da paridade com a gasolina centro-sul.

Ausência de álcool

"Se ocorrer ausência de álcool na bomba, será algo pontual", acredita Alísio Vaz, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). Para Vaz, a subida é considerada forte, já que aumentou R$ 0,10 em uma semana.

"Pode ser efeito nos preços de vendas da usina, mas acredito que seja algo pontual", afirmou. Bertoldi também não crê em falta de etanol. "Se houver algo assim, deve ser porque alguma distribuidora comprou atrasado. Esse risco, de falta de álcool, não existe", disse o executivo.

Segundo balanço da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o centro-sul do País processou 20% a mais de cana no acumulado da safra.

Fonte: DCI

7. Agência Rural vê área recorde para próxima safra de soja do país

A próxima safra de soja do Brasil poderá ocupar uma área plantada recorde de 24 milhões de hectares, estimou a Agência Rural em sua primeira estimativa de intenção de plantio para 2010/11 no país, o segundo produtor global da oleaginosa após os EUA.

A ser confirmada a previsão, a semeadura de soja do Brasil teria um crescimento de 3 por cento em relação à safra 2009/10, considerando os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 23,35 milhões de hectares.

No caso de se repetir a mesma produtividade de 09/10, um ano que o Brasil contou com as boas chuvas do fenômeno El Niño, o Brasil poderia produzir um recorde 70,5 milhões de toneladas, o que seria um aumento de 2,6 por cento na comparação com a colheita encerrada no primeiro semestre deste ano.

Uma safra daquela magnitude já é esperada pela indústria. No início do mês, o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, disse que a nova safra brasileira poderia atingir 71 milhões de toneladas.

Entretanto, há quem diga que a atuação do La Niña em 10/11 possa não favorecer as lavouras como ocorreu a última safra.

Em 09/10, o Brasil obteve uma produtividade média de 2,94 toneladas por hectare, segundo a Conab.

O Mato Grosso, maior produtor brasileiro e um dos primeiros Estados a iniciar a semeadura, em meados de setembro, deverá registrar um aumento de 1,9 por cento na área plantada, para 6,3 milhões de hectares, segundo a Agência Rural.

O Paraná, segundo produtor nacional, também ampliaria o plantio, em 4,3 por cento, para 4,7 milhões de hectares, assim como outros importantes produtores, como o Rio Grande do Sul (+3,1 por cento).

Fonte: Globo Online

8. Embarque de café torrado volta a crescer

As exportações brasileiras de café industrializado -torrado e moído - devem voltar a crescer em 2010, depois do resultado negativo do ano passado. A expectativa da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic) é que a receita gerada a partir das vendas externas do produto industrializado superem os US$ 30 milhões e voltem aos patamares de 2008, quando o setor teve seu melhor desempenho nas exportações.

"A crise econômica não foi tão sentida pelas indústrias de café que exportaram em 2008. O resultado, com a queda nas vendas, apareceu no ano passado, quando tivemos uma retração nas exportações do produto industrializado", afirma Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Abic.

No ano passado, as exportações de café industrializado somaram US$ 25,44 milhões, segundo informações do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé). O resultado representa uma queda de 16% em relação ao ano anterior, efeito principalmente da crise econômica e também da desvalorização do dólar em relação ao real.

Os Estados Unidos devem permanecer como principal destino do café industrializado brasileiro, mas a Europa começa a despontar como destino atrativo das empresas nacionais. A Cooparaiso, por exemplo, cooperativa sediada em São Sebastião do Paraíso (MG), começou, no fim do ano passado, a exportar café torrado com marca própria para a França, em uma parceria com a Agrial - cooperativa agroindustrial que opera na transformação de legumes e atua no mercado de jardinagem.

Em menos de um ano, a empresa dobrou os embarques mensais e hoje exporta em média 20 mil quilos de café torrado. Os 100 pontos de venda iniciais concentrados apenas da região da Normandia - noroeste da França - hoje já somam 300 e a perspectiva é chegar a 500 até o fim do ano, cobrindo também as regiões norte e sudoeste da França.

"Em 2011, pretendemos dobrar o número de pontos de venda e cobrir praticamente toda a França. Depois da Agrial, fomos procurados por outras cooperativas para fazer parcerias semelhantes, tendo como apelo oferecer um produto de qualidade, com garantia de origem e que saia diretamente do produtor ao consumidor final", afirma Jérôme Fraissignes, diretor- geral da Cooparaiso Europe, braço da empresa criado para atender a demanda européia.

Segundo Fraissignes, além do mercado francês a cooperativa já negocia também a exportação de café torrado para a Bélgica. Sem dar prazos para que os primeiros negócios sejam fechados, o executivo informa que as conversações estão adiantadas e que, por enquanto, as maiores dificuldades estão em ajustar os idiomas das embalagens. A Bélgica tem três línguas oficiais - holandês, francês e alemão.

No mercado americano, o mineiro Café Bom Dia já está presente com suas marcas desde 2002. Hoje a empresa é uma das maiores exportadoras do produto industrializado.

Apesar do crescimento nas vendas do café torrado e das boas perspectivas futuras, em receita, as vendas externas do produto representam apenas 1% do faturamento total obtido com as exportações brasileiras de café.

Fonte: Valor Econômico

9. Etanol – Quando os fatos apressam as soluções

Sabia-se desde o princípio que toda a movimentação que tomou conta do segmento sucro-alcooleiro na entressafra passada, e que continua a alimentar processos de fusão, aquisição e mudanças no controle acionário de importantes empresas, iria acarretar alterações grandes na estrutura deste mercado. O que não se esperava era que isto pudesse ocorrer tão cedo. Circunstâncias até certo ponto imprevistas no desenvolvimento da comercialização desta safra estão criando um nova dinâmica de mercado, particularmente para o etanol, com implicações de longo prazo.

Em meados da semana que passou uma notícia causou espanto. Na cidade de Catanduva, Estado de São Paulo, importante centro produtor de cana-de-açúcar e região pontilhada por inúmeras usinas de porte e renome, faltou etanol em alguns postos de combustíveis. A primeira reação foi de que se tratava de uma situação pontual, sem maior importância. Mas na sexta-feira, 16 de julho, notícia alimentada pelo próprio diretor regional do Sincopetro, sindicato que reúne donos de postos, veiculada por importantes órgãos de comunicação, davam conta que os preços de etanol iriam sofrer de imediato significativos aumentos, podendo chegar a R$ 1,54 por litro na região de Ribeirão Preto, coração do setor.

Esta notícia foi referendada pelo Sindicom, sindicato que reúne os distribuidores de combustíveis, ao dizer que cada distribuidor pode estabelecer a sua própria política de custos e lucro, o que todo mundo já sabe. Mais ainda e no mesmo momento a própria Unica, representante dos produtores, confirmou a alta, argumentando que se trata de um ajuste natural do mercado. Não há, segundo ela, carência do produto, fator que poderia justificar a alta, acrescentando que existe uma adequação para que o produtor seja remunerado de forma mais justa.

O que parece estar ocorrendo, e esta é a grande mudança de postura do setor, é que os industriais estão tomando uma posição adequada à realidade do mercado interno de etanol combustível. Vejamos bem: os preços do etanol estão historicamente subordinados a um teto que é estabelecido pelo preço da gasolina. O etanol nunca pode custar mais do que o mágico número de 70% do valor praticado para o derivado do petróleo, preço este administrado pelo Governo.

O que vinha ocorrendo até este momento, e na última entressafra este fato ficou novamente visível, é que a industria, então enfraquecida financeiramente, era obrigada a vender a qualquer preço todo o etanol produzido, particularmente nesta época do ano, quando nos aproximamos do chamado “pico da safra”. Fazendo isto acabava por deixar o etanol competitivo frente à gasolina praticamente em todo o país. Com o aumento significativo da venda dos carros flexíveis, aumento este não acompanhado pelo incremento de produção de etanol, por fatores que estamos cansados de saber, quando chegava a entressafra tínhamos escassez de etanol, até mesmo do anidro utilizado na mistura com a gasolina.

Pois bem, a indústria mudou e agora uma parcela significativa do mercado está em mãos fortes, inclusive com participação de petroleiras, como a Shell e a Petrobras Biocombustível. Este grupo que hoje tem controle da movimentação dos preços sabe que a única maneira de chegarmos à entressafra com disponibilidade suficiente para passar este período sem grandes transtornos é gerenciar a oferta através de uma administração correta dos preços, elevando-os até estarem muito próximos do tal valor acima mencionado.

Vai haver reclamações de toda parte, principalmente dos usuários acostumados a abastecer seus veículos com etanol a R$ 1,00 por litro ou até menos e a depois reclamarem porque o etanol não está disponível a preços competitivos nos meses de início do ano. Mas esta mudança é necessária, pois este não é um mercado livre. Ponto final. O etanol tem seus preços dependentes de um produto com preço controlado. Então resta alterar as regras, jogar o novo jogo e pronto.

Se a teoria aqui exposta estiver correta e esta estratégia mercadológica for realmente seguida a consequência é que teremos disponibilidade do etanol durante os doze meses do ano, a preços constantes, assim como são constantes os preços da gasolina. Os Estados do país onde a logística e os custos de distribuição permitam o uso do etanol vão usar etanol. Onde o etanol não for competitivo, vai se utilizar gasolina. Aí entra a magia do carro flex, que permite ao usuário fazer sua escolha e não ser refém de um produto ou de outro. Aliás, feliz usuário que tem a proteção governamental de saber que o preço da gasolina sempre estará controlado.

Finalmente, outro efeito paralelo e positivo de tudo isto. O etanol vai voltar a ser um produto atraente para os investidores e poderemos voltar a pensar em um crescimento sustentado da produção. Tomara que este nosso raciocínio não seja um sonho ou delírio de uma noite de inverno mas reflita o pensamento que deve estar norteando a mente dos novos comandantes deste mercado.

Fonte: Paulo Costa (Agroblog)