

Responsável por mais da metade da produção de grãos do Paraná, as cooperativas querem alcançar participação semelhante fora da porteira. Até 2015, o setor pretende concentrar 50% do parque agroindustrial do estado. Atualmente, pouco mais de um terço das agroindústrias paranaenses estão nas mãos do sistema cooperativista. Para elevar esse índice, a ordem é investir.
Levantamento da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) mostra que 57% dos investimentos programados para 2010 devem contemplar essa área. Do total de R$ 1,01 bilhão planejado para este ano, R$ 579,26 milhões devem ser aplicados na melhoria e ampliação das agroindústrias cooperativas.
“Hoje os investimentos do sistema estão muito fortes, não só na industrialização, mas também em outras áreas. Quando uma cooperativa constrói uma nova agroindústria, não para por aí. Precisa aumentar sua capacidade de armazenagem, melhorar a logística de distribuição dos produtos... Então, uma coisa puxa a outra e todos os setores crescem juntos”, destaca o analista técnico-econômico da Ocepar, Robson Mafioletti. Para cada R$ 1 investido pelas cooperativas em agroindustrialização, R$ 0,75 são aplicados em outros setores como armazenagem e distribuição.
Com a ampliação do complexo agroindustrial, as cooperativas buscam agregar ainda mais valor a produtos já industrializados e ampliar a sua penetração no mercado varejista, afirma Mafioletti. Ele calcula que hoje entre 20% e 25% do faturamento das 82 cooperativas agropecuárias do Paraná venham do varejo. Considerando que o sistema faturou no ano passado R$ 24,9 bilhões, a receita com as vendas ao consumidor final somou entre R$ 5 e R$ 6 bilhões.
Entre cortes de carnes bovina, suína e de frango, sucos, margarina, café e outros produtos, as cooperativas têm hoje cerca de 20 itens disponíveis nas gôndolas dos supermercados. “A ideia é ampliar esse leque, incluindo também produtos ainda mais industrializados, como nuggets de frango, pizzas prontas e pães, por exemplo”, explica o técnico da Ocepar.
A diversificação e a verticalização da produção cooperativista cria oportunidades aos associados, considera Lauro Soethe, vice-presidente da cooperativa Lar, de Medianeira, no Oeste do estado. “Se tivéssemos ficado só com produtos in natura, teríamos passado por muitas dificuldades nos últimos anos. A agroindustrialização é especialmente importante em regiões como a nossa, onde os produtores são pequenos, pois ajuda no processo de fixação do homem no campo. Nos últimos anos, conseguimos estancar o êxodo rural na nossa área de atuação”, relata.
O preço que o produtor recebe pela sua produção é sempre maior em regiões onde há agroindústrias, observa Mafioletti. “Se o mercado está pagando, por exemplo, R$ 35 pela saca de soja, o produtor que vender o grão para industrialização na cooperativa irá receber R$ 38”, compara. “Ganha o cooperado, que recebe preço melhor e aumenta sua rentabilidade; ganha a cooperativa, que agrega valor à produção primária e amplia seu faturamento, e ganha a sociedade, que tem mais emprego e aumenta sua renda”, diz.
Diversificando a própria estrutura vertical, as cooperativas geram mais empregos, mais impostos e promovem o desenvolvimento das economias locais, concorda o presidente da Copacol, Valter Pitol. A cooperativa de Cafelândia, no Oeste o Paraná, emprega mais de 5 mil pessoas, quase 30% da população do município, que soma 18 mil habitantes. “Mais de 80% da receita de Cafelândia vêm da cooperativa”, estima Pitol.
O governo federal investiu R$ 2 bilhões para estimular a adoção de práticas sustentáveis no campo. A iniciativa faz parte do Programa Agricultura de Baixo Carbono, lançado em maio pelo Ministério da Agricultura para reduzir a emissão de CO2, mantendo a alta produtividade agrícola e recuperando 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2020. A medida é a primeira iniciativa do setor em larga escala e atende ao acordo voluntário firmado pelo Brasil durante a COP-15, em Copenhague no ano passado, que estabeleceu uma série de ações de mitigação de gases de efeito estufa para o país.
A expectativa é que em dez anos as boas práticas adotadas no campo reduzam em 33% o volume de CO2 jogado na atmosfera. A informação foi dada por Eduardo Assad, coordenador de pesquisa de mudanças climáticas da Embrapa e também da Rede Clima e Agricultura do Ministério da Ciência e Tecnologia no Seminário sobre mudanças climáticas e agricultura promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec/Rio): - A agricultura brasileira emite cerca de 480 milhões de toneladas de CO2 por ano.
Com essas medidas vamos promover uma redução de 160 milhões de toneladas em 10 anos - disse Assad.
O recurso financiará projetos em quatro setores: recuperação de pastos, fixação biológica de CO2, integração lavoura/pecuária e plantio direto (ver box). O dinheiro será repassado aos agricultores por meio de uma linha de crédito rural já disponível nas agências do Banco do Brasil.
Os juros são de 5.5% ao ano.
Na avaliação de Assad, a criação do Programa ABC pelo Ministério da Agricultura representa um passo importante na direção de um modelo agrícola sustentável.
- Há 25 anos os pesquisadores já falavam que a agricultura poderia contribuir para a redução das emissões de carbono.
Temos tecnologia. E o dinheiro surgiu quando se percebeu que era bom negócio - disse o pesquisador.
Embora reconheça o avanço no setor, ele acredita que ainda é preciso investir em pesquisa e inovação para criar um novo modelo.
- O avanço nesta área é baseado em inovação e transferência de tecnologia. O setor público já desenvolve pesquisas, mas é necessário que o setor privado também entre nesta iniciativa. Acho até que já estão fazendo alguma coisa, pois aos poucos os empresários estão se dando conta da importância de investir em pesquisa para competir no mercado de carbono. Mas, mesmo com investimento, é fundamental que as informações sobre novas tecnologias cheguem ao produtor. Este é o calcanhar de Aquiles desta história. Estado e Município ainda precisam apostar em programas de capacitação.
Estratégias de mitigação para agricultura
RECUPERAÇÃO DE PASTOS: por meio de técnicas de fertilização do solo cerca de 60 milhões de hectares de pasto serão recuperados, resultando em maior produtividade. Assim, um número maior de cabeças de gado poderá ocupar um espaço menor do pasto e o desmatamento para criar novas áreas de pastagem será evitado.
Com a adoção do processo, a expectativa é que haja uma redução de 101 milhões de toneladas de CO2 em 10 anos.
FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO: o nitrogênio é usado para melhorar a qualidade da planta e o processo de fixação normalmente é feito com fertilizantes ou adubos que emitem gases de efeito estufa. A tecnologia de fixação biológica usa bactérias, tornando o processo natural e sem emissão de GEEs. A redução esperada com o uso da tecnologia é de 10 milhões de toneladas de CO2 em 10 anos.
INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA: é uma técnica de rotação de pasto e grãos que permite que em uma determinada área de cultivo se crie também cabeças de gado. A rotação é feita uma vez por ano, alternando-se na mesma área o plantio de grãos com a criação do gado. A técnica permite que o pasto se recupere e novos desmatamentos sejam evitados. Cerca de 30 milhões de toneladas de CO2 devem deixar de ser emitidas em 10 anos.
PLANTIO DIRETO: feito diretamente sobre um leito de palha, o que evita a emissão de CO2 que ocorre durante a etapa de preparação do solo para o plantio. A técnica já é usada em cerca de 20 milhões de hectares no país. A ideia do MAPA é ter mais oito milhões de hectares.
A expectativa é que 16 milhões de toneladas de CO2 deixem de ser jogadas na atmosfera em 10 anos.
Terra farta e barata, produtividade imbatível e um mercado consumidor aquecido devem garantir até R$ 14 bilhões em investimentos diretos no setor florestal brasileiro até 2014. Cada vez mais atraídos pela solidez desses negócios, os investidores estrangeiros planejam prover ao menos 30% desse total.
O estudo inédito da consultoria especializada Consufor, baseado nas negociações em curso e em consultas diretas de interessados, aponta que só a implantação de novos maciços florestais garantirá aportes de R$ 5 bilhões ao setor nos próximos três anos.
Os estrangeiros, representados por gigantes da gestão de ativos florestais, apostam no negócio como investimento de longo prazo para diversificar carteiras, reduzir níveis de risco e elevar as margens de retornos financeiros. Os principais gestores da área, que manejam recursos de grandes bancos e companhias de seguro internacionais, já detêm 500 mil hectares de florestas de pinus e eucaliptos no Brasil, sobretudo na região Sul.
"A organização desses investimentos no Brasil foi tardia, de 2001 para cá", diz o diretor da Consufor, Marcio Funchal. "Mas agora ninguém quer ficar de fora porque há uma briga franca e aberta por esses recursos".
Atrás do avanço da concorrência externa, nacionais como Florestal Brasil, GMR, Claritas e Vale Florestar correm para garantir espaço. Os fundos nacionais miram nesse plantio comercial para gerar contratos de suprimento, recuperação de áreas degradadas e replantio de florestas. Está em alta a demanda para atender celulose, papel, siderurgia e painéis de madeira.
"Ainda temos terras suficientes para crescer, principalmente em áreas degradadas que podem ser reconvertidas", afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf), Cesar Augusto dos Reis.
Nesse cenário positivo, a Consufor estima haver pelo menos 250 mil hectares em negociação atualmente entre investidores e indústrias do setor no Sul e Sudeste do país. As empresas do setor estimam elevar em 1,44 milhão de hectares a área de florestas plantadas no país até 2014.
"É um cálculo conservador porque a recuperação econômica mundial já nos permite projetar demanda acima de 2 milhões de hectares", pondera Reis, cuja associação congrega 24 das principais empresas de capital nacional e estrangeiro.
Mesmo animados com as boas perspectivas para o setor no longo prazo, as empresas têm preocupações com os debates sobre a reforma do Código Florestal Brasileiro, em vigor desde 1965, e a possível limitação para a compra de terras por estrangeiros no país. Há um mês, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, informou ao Valor que o governo avalia ampliar os controles, e até revogar, a titularidade de áreas em mãos estrangeiras. "São debates que inquietam o setor", diz Marcio Funchal. "Já conversamos com o governo sobre o assunto e esperamos parcimônia nessa abordagem", afirma Cesar Reis. Questões como o baixo ordenamento do uso do solo e a falta de titularidade dos imóveis rurais ainda inibem a voracidade dos investidores.
No horizonte de ampliação dos negócios, também surgem opções consideradas atrativas aos novos investidores. A criação de sociedades de propósito específico (SPEs) entre investidores e indústrias tradicionais eliminaria intermediários e daria mais confiança aos negócios, avaliam os gestores da área.
Além disso, o processo de concessões de "florestas públicas" pelo governo federal, cujo potencial soma 6,5 milhões de hectares de áreas nativas no país, funciona como um poderoso atrativo aos gestores de ativos. Os estrangeiros têm forte interesse na opção, que permite o "aluguel" de matas por 40 anos. Ao menos 4,5 milhões de hectares dessas áreas estão na Amazônia. Em Rondônia, por exemplo, parte dos 240 mil hectares da Floresta Nacional do Jamari são administrados pela gestora Amata Brasil. "Em cinco anos, o setor florestal baseado em madeira tropical sentirá os reflexos positivos de um novo perfil de investidores", prevê Marcio Funchal, da Consufor.
A indústria de produtos orgânicos da União Europeia está ganhando "massa crítica" à medida em que mais consumidores compram esses alimentos sem fertilizantes químicos e pesticidas, segundo um relatório do bloco.
A área com produção orgânica na UE aumentou anualmente, em média, 7,4% entre 2000 e 2008, saindo de 4,3 milhões de hectares para 7,6 milhões de hectares. A agricultura orgânica respondeu por 4,3% das terras agricultáveis em uso em 2008, segundo a UE.
A demanda "tem efeito impulsionador na agricultura orgânica", diz a UE. "Essa expansão deve permitir condições apropriadas para o desenvolvimento da agricultura orgânica no médio prazo e assegurar a manutenção dos prêmios sobre os preços que contribuem para a lucratividade do setor".
A UE tinha 22% da área de agricultura orgânica do mundo em 2008, de acordo com a Switzerland"s Forschungsinstitut fuer Biologischen Landbau. Nos EUA, 1,95 milhão de hectares tinham manejo orgânico, ou 0,6% do total das áreas agrícolas e de pastagem do país, mostra a pesquisa.
"O setor agora se amplia além de uma mera "agricultura de nicho" e alcança uma certa massa crítica", diz firma o documento. A demanda na UE por produtos orgânicos está ultrapassando o crescimento local da oferta. Entre as culturas aráveis, os cereais são a mais importante categoria, com 1,2 milhão de hectares produzidos organicamente em 2007.
A Espanha tinha a maior área com produção orgânica na União Europeia, com 1,13 milhões de hectares. Em percentual, o uso para produção orgânica das terras agrícolas era maior na Áustria, com uma fatia de 16% da área usada para agricultura. O tamanho médio de uma fazenda orgânica na União Europeia excedeu o dos estabelecimentos não orgânicos em 2007, segundo o relatório.
"No setor de pecuária, isso não é surpreendente dados os níveis mais baixos dos estoques e o maior uso de pastagem extensiva", dizem os autores do documento. "Em tais especializações, como lavouras permanentes e produção de vegetais, isso é mais surpreendente".
As fazendas orgânicas usaram menos mão de obra por área, mostram as estatísticas. Isso contraria a percepção de que o segmento emprega mais mão de obra para compensar a ausência de insumos químicos e fertilizantes nitrogenados.
"Contrariamente ao que é frequentemente considerado, os estabelecimentos orgânicos usariam menos mão de obra intensiva do que os convencionais", dizem os autores do relatório.
Com a possibilidade de o fenômeno La Niña provocar estiagens a partir da primavera, meteorologistas e agrônomos estão lançando uma série de orientações aos produtores que exigem revisão na época do plantio. Para alguns, será prudente antecipar a semeadura de milho e soja. Para outros, o mais indicado é escalonar o plantio e racionalizar o uso de fertilizantes. A ideia é garantir que não falte água nas épocas de desenvolvimento, florescimento e frutificação das plantas.
“O La Niña aumenta o risco de estiagem prolongada principalmente no verão. Quem antecipar o plantio deve ter mais chuvas nas fases de florecimento e enchimento dos grãos”, afirma Marco Antônio dos Santos, agrônomo e agrometeorologista do Instituto Somar, de São Paulo. “Neste ano, vai tirar bem quem plantar mais cedo.” Ele afirma que o conselho vale para toda a região Sul do país.
“Simplesmente antecipar pode não resolver, uma vez que a época exata das estiagens é desconhecida. O melhor é escalonar o plantio e não apostar só numa variedade de semente. Quem planta só precoce corre mais risco porque as plantas precisam de chuva num intervalo menor de tempo”, afirma o agrônomo Robson Mafioletti, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), com base nos boletins agrometeorológicos quem vêm sendo emitidos para o estado.
Santos afirma que o La Niña vai exigir que o produtor fique mais atento às previsões climáticas. Ele considera que o agricultor precisa descobrir, antes de setembro, qual será o período de mais chuva em sua região e, então, escolher a época de plantio de acordo com as informações meteorológicas. O plantio do milho deve começar no início de setembro e o da soja só vai esperar o fim do vazio sanitário da ferrugem asiática (que no Paraná proíbe o cultivo até 15/09), prevê.
O último ano de La Niña foi 2007/08, quando a produção foi boa em todo o país, mas os meteorologistas dizem que a próxima safra não deve seguir o mesmo padrão. Desta vez, as águas do Oceano Pacífico estão se resfriando mais cedo. Os registros também indicam que o fenômero será mais severo, apesar de ainda haver divergência sobre sua intensidade.
As chuvas que em ano de El Niño vêm da Amazônia devem permanecer nas regiões Norte e Nordeste do país. Mesmo por lá, devem chegar com atraso, a partir de outubro. O Paraná passa a depender de chuvas do Sul. O risco é de estiagens como a que ocorreu em dezembro de 2008, quando as principais regiões agrícolas do estado ficaram sem chuva de 12 de novembro a 31 de dezembro, lembra Mafioletti.
Entre os produtores que devem ficar mais atentos estão aqueles que costumam optar por soja precoce para antecipar a colheita e, em seguida, plantar milho safrinha, diz Mafioletti. “Essa estratégia fica mais arriscada nesta safra”, afirma o agrônomo da Ocepar.
O meteorologista Luiz Renato Lazinski afirma que o clima está beneficiando as lavouras de inverno, mas não será bom para as de verão. Ele vem mantendo previsões de estiagens há três meses, desde quando o La Niña começou a se manifestar. Segundo Lazinski, as estiagens devem se confirmar mais para o final do ano, a partir de novembro.
As normas do zoneamento agrícola para o sorgo granífero foram publicadas, nesta segunda-feira (19), no Diário Oficial da União (DOU), nas Portarias N° 235 a 239. O estudo identificou as áreas aptas e os períodos com menor risco climático para o cultivo nos estados da Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.
Sorgo granífero - Planta de origem tropical, com alta taxa fotossintética, que necessita de clima quente para expressar o potencial de produção. Com isso, requer temperaturas superiores a 21°C. Aquelas inferiores a 16°C e superiores a 38°C diminuem a produtividade.
Apesar de ser resistente à seca, a ocorrência de déficits hídricos, principalmente na fase de florescimento e enchimento dos grãos, pode reduzir a produção.
Com excesso de oferta pressionando os preços do milho, a área plantada com soja deverá subir novamente na temporada 2010/11. De acordo com a 1ª estimativa de intenção de plantio realizado pela AgRural, a área a ser semeada com soja no país alcançará 24,05 milhões de hectares, um incremento de 2,6% ou 690 mil hectares sobre a área até então recorde semeada em 2009.
Confirmados os números preliminares da AgRural, teremos recorde de área nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Bahia e Piauí. Com todos esses recordes, a produção nacional tem potencial para se aproximar dos 70 milhões de toneladas na próxima temporada.
Descrentes com o mercado de milho, os produtores da região Sul são responsáveis por mais da metade deste crescimento. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná somados vão incrementar a área de soja em 350 mil hectares. O crescimento só não é maior devido à rotação de culturas, técnica muito utilizada na região.
As regiões Norte e Nordeste são as que apresentam o maior crescimento porcentual. Na temporada passada, as sementes de soja abrangeram 2,43 milhões de hectares e neste ano serão semeados 2,55 milhões, alta de 4,7% nas duas regiões. A presença de grandes grupos com projetos sólidos de ampliação puxa o crescimento de área. O destaque da região fica para a Bahia, que tem crescimento projetado de 6,2%.
A região Centro-Oeste incrementará o plantio em 220 mil hectares, com crescimento de 2,1%. A área plantada sobe 3% em Goiás e 2% no Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso. Este último, se confirmada a previsão de 6,3 milhões de hectares, realizará o maior plantio de sua história, superando o recorde de 6,2 milhões de hectares da temporada 05/06.
Na região Sudeste do país, a área plantada deve se manter estável com área de 580 mil hectares em São Paulo e 1,02 milhão em Minas Gerais. O forte consumo interno de milho nesta região justifica a manutenção.
A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) ampliou de 10% para 15% a projeção de crescimento das receitas com exportações de carne de frango do país neste ano em comparação com os US$ 5,814 bilhões apurados em 2009. A revisão foi provocada pelo desempenho acumulado no primeiro semestre, que apresentou alta de 15,36% sobre o mesmo período do exercício passado, para US$ 3,111 bilhões, informou ontem o presidente executivo da entidade, Francisco Turra.
De acordo com ele, para retornar aos patamares pré-crise o faturamento das exportações do setor deveria crescer 20%. Mesmo assim, o resultado do semestre já reflete a recuperação parcial dos preços médios do produto no mercado internacional, que haviam caído 19% de 2008 para 2009 e agora registraram alta de 15,5% sobre os seis primeiros meses do ano passado, para US$ 1.723 a tonelada. Em volume, os embarques de janeiro a junho tiveram ligeira queda de 0,12%, para 1,805 milhão de toneladas.
Depois da união da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) com a antiga União Brasileira de Avicultura (UBA), em abril, a nova entidade também divulgou ontem pela primeira vez os dados sobre as exportações de outras aves como perus, patos e gansos, que somaram mais US$ 289,9 milhões e 125,9 mil toneladas. Já os embarques de ovos in natura e processados recuaram 14,5% em volume no semestre, para 16 mil toneladas, e aumentaram 7,73% em valor, para US$ 23,3 milhões.
Entre os mercados mais importantes para o frango brasileiro, a China foi o que mais aumentou as compras no semestre, passando de 652 toneladas em 2009 para 48,9 mil toneladas. Conforme Turra, os chineses efetivamente passaram a importar o produto do Brasil em agosto passado, depois de uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. Antes as vendas para aquele mercado eram feitas via Hong Kong, que agora, com a mudança, deixou de comprar 46,1 mil toneladas e ficou em 175,2 mil toneladas.
Segundo maior importador do Brasil (atrás apenas da Arábia Saudita, que cresceu 8%, para 249,1 mil toneladas), a União Europeia reduziu as compras em 19% (ou 49 mil toneladas) no semestre, para 206,1 mil toneladas, devido aos efeitos da crise econômica no continente e a medidas protecionistas contra a carne brasileira, explicou Turra.
Conforme o diretor de mercados da Ubabef, Ricardo Santin, o conselho deliberativo da entidade deve reunir-se em até 15 dias para decidir se encaminha ao Itamaraty o pedido de abertura de painel contra a UE na Organização Mundial de Comércio (OMC).
A queixa é contra a mudança na legislação europeia sobre carne fresca ("fresh meat"), que desde maio determina que todo o frango importado congelado deve ser vendido congelado no continente. O Brasil só exporta este produto para as preparações a partir de carne cozida e por isso os embarques poderão ser prejudicados.
"Queremos que a UE adote a etiqueta "feito com carne previamente congelada", como já acontece com os peixes, suínos e carne bovina", explicou Santin. Segundo ele, a Europa também pretende desconstituir acordos referentes a oito linhas de produtos cozidos submetidos a regimes de cotas com redução tarifária, o que não é aceito pela Ubabef.
A China, o principal motor da retomada da economia global, superou os EUA e se tornou no ano passado o maior consumidor mundial de energia, afirma a Agência Internacional de Energia (AIE).
A liderança chinesa deve aumentar sua influência nos mercados globais de energia, na determinação dos preços e em como ela é usada.
A China consumiu, no ano passado, 2,25 bilhões de toneladas de petróleo equivalente (medida de energia que inclui fontes como carvão, petróleo, gás natural, energia nuclear e hidrelétricas), cerca de 4% mais do que os EUA.
Em 2000, o consumo chinês era aproximadamente metade do norte-americano.
A liderança da China se deve tanto à forte expansão da sua economia (enquanto a americana vem de forte freada) como às medidas tomadas nos EUA para tornar mais eficiente o consumo de energia.